Sioux
| Línguas Sioux (Sioux–Catawban) | ||
|---|---|---|
| Falado em: | Estados Unidos, Canadá]] | |
| Região: | América do Norte Central | |
| Total de falantes: | — | |
Família: | Uma das famílias primárias do mundo Línguas Sioux (Sioux–Catawban) | |
| Códigos de língua | ||
ISO 639-1: | -- | |
| ISO 639-2: | sio | |
Sioux ou Sioux–Catawban é uma família linguística da América do Norte primariamente localizada nas Grandes Planícies, nos vales dos rios Ohio e Mississippi e no sudoeste da América do Norte, havendo algumas línguas faladas no leste.
Distribuição pré-contato dos idiomas Sioux-Catawban
Retrato de um Sioux (Red Bird)
A palavra Sioux (pronúncia em inglês:
/ˈsuː/) ou, em português, Siú[1] significa:
- Um importante grupo linguístico do centro e do nordeste da América do Norte. Esse grupo subdivide-se em dois subgrupos, os Catawba, hoje extintos, e os Sioux que são divididos em outros três grandes grupos: os Tétons, Yanktons e Santees.
- Uma palavra de origem ojibwa que designa as tribos Lakota, Nakota e Dakota, culturalmente muito próximas.
Também chamados de Dakotas ou Lakotas, espalhavam-se pelos estados de Dakota do Norte e do Sul, no centro-norte dos Estados Unidos. A origem do termo Sioux remonta o século XVII, quando seus inimigos, os Ojibwas, disseram aos franceses que assim eram chamados. Vem do termo Ojibwa Na dou esse, que significa "inimigo". Os franceses, ao tentar dizer o termo, disseram Nadousioux, e os ingleses e americanos abreviaram para Sioux.
As principais atividades econômicas dos Sioux giravam em torno da agricultura, onde a plantação de milho possuía expressivo destaque. Além disso, realizavam caça a animais de grande porte como
os bisões. A carne obtida desse tipo de caça era dividida entre as famílias que participavam da caça, o couro era utilizado para a confecção de roupas e tendas, os ossos utilizados para o artesanato e a fabricação de armas.
Os seus principais inimigos eram os crow e seus aliados eram os cheyenne.
Com o contato com os colonizadores espanhóis, os Sioux passaram a utilizar cavalos nas atividades de guerra, caça e transporte.
Eram os mais agressivos contra os brancos e tinham cerimônias que incluíam rituais de tortura como prova de bravura. Num desses rituais, mostrado no filme Um Homem Chamado Cavalo (1970), o índio tinha a pele atravessada por pinos de madeira presos a cordas, que eram estendidas para erguer o corpo até gerar dilacerações. Depois do processo de independência, os conflitos com os colonizadores aumentaram significativamente. Os sioux resistiram aos brancos até 1890, quando foram derrotados.
Atualmente os remanescentes vivem em reservas nos estados de Dakota do Norte e Dakota do Sul, nos Estados Unidos.
Índice
1 Nome
2 Famílias
3 Relações externas
4 Fonologia
5 Propostas antigas
6 Proposta atual
6.1 Consoantes
6.2 Vogais
6.2.1 Vogais orais
6.2.1.1 Vogais nasais
6.2.2 Vogais
7 Amostras de textos
8 Notas
9 Bibliografia
10 Ligações externas
Nome |
Autores que chamam a família de 'Sioux' distinguem os dois ramos como Sioux Ocidental e Sioux Oriental ou como Sioux -próprio e Catawban. Outros restringem o nome "Sioux" ao ramo ocidental e usam o nome "Sioux-Catawban" para toda a família. Geralmente, no entanto, o nome "Sioux" é usado sem distinção.
Famílias |
As línguas sioux podem ser agrupadas nas Sioux ocidentais e Catawban. As línguas Sioux Ocidentais podem ser divididas em línguas do Rio Missouri (como Crow, Hidatsa e Mandan), línguas do rio Mississippi (como Sioux Dakota, Chiwere, Winnebago e línguas Dhegihan e ramos de línguas Sioux do Vale de Ohio) As línguas Catawban consistem apenas na Catawba e Woccon.
Relações externas |
A isolad língua Yuchi pode ser o parente mais próximo de Sioux-Catawban, baseado em mudanças de som e comparação morfológica.[2]
No século XIX, Robert Gordon Latham que as línguas Sioux estivessem relacionadas com as línguas Caddoanas e Iroquesas. Em 1931, Louis Allen apresentou a primeira lista de correspondências sistemáticas entre um conjunto de 25 itens lexicais em Sioux e iroquês. Nos anos 60 e 70, Wallace Chafe explorou ainda mais a ligação entre as línguas Sioux e Caddoana. Na década de 1990, Marianne Mithun comparou a morfologia e a sintaxe de todas as três famílias. Atualmente, esta hipótese de uma grupo de línguas Macro-Sioux não é considerada provada, e as semelhanças entre as três famílias podem ser devidas a suas proto-línguas terem sido parte de ummesmo sprachbund.,ref>Mithun, Marianne. 1999. The languages of native North America. p.305. Cambridge, UK: Cambridge University Press.</ref>
Fonologia |
Na literatura siouxnista (por exemplo, Rankin (2015)), as transcrições em fonética americanista são a norma, de acordo com o IPA *ʃ é o Americanista *š, IPA *j é Americanista *y, e assim por diante
A principal mudança no sistema proposto anteriormente consiste em contabilizar sistematicamente a distribuição de séries de múltiplas oclusivas nas línguas Sioux modernas, rastreando-as até as séries de múltiplas oclusivas na proto-linguagem. Análise anterior postulou apenas uma série de única de oclusivas.[3]
Muitos dos clusters de consoantes propostos por Wolf (1950-1951) podem ser explicados devido à síncope de vogais curtas antes de sílabas acentuadas. Por exemplo, Matthews (1958: 129) apresenta * wróke como a proto-forma para 'macho'. Com dados adicionais de um conjunto maior de línguas Sioux desde meados do século XX, Rankin e outros (2015) apresenta * waroː (-ka) como a forma reconstruída para 'macho'.
Ao contrário das propostas de Wolff e Matthew, não há consoantes nasais postuladas em Proto-Sioux. As consoantes nasais só surgem nas línguas derivadas quando seguidas por uma vogal nasal. Além disso, há um conjunto de sons que representam versões obstruentes de seus sonorantes correspondentes. Esses sons têm reflexos diferentes nas línguas derivadas, com *w aparecendo como [w] ou [m] na maioria dessas línguas filhas, enquanto *W tem um reflexo de [w], [b], [mb] ou [p]. O valor fonético real desses obstruentes é uma questão de algum debate, com alguns argumentando que eles surgem através de sequências geminadas *w + *W ou * r+ *r ou um sinal laringeal *w ou *r.ref>Rankin, Robert L., Carter, Richard T. & Jones, A. Wesley. (n.d.). Proto-Siouan Phonology and Grammar. Ms. University of Kansas.</ref>
Propostas antigas |
Existe uma certa quantidade de trabalho comparativo entre as fonologias nas línguas Siouan-Catawban. Wolff (1950-51) está entre os primeiros e mais completos trabalhos sobre o assunto. Wolff reconstruiu o sistema de proto-Sioux, modificado por Matthews (1958). O sistema deste último é mostrado abaixo:
Labial | Alveolar | Palatal | Velar | Glotal | |
|---|---|---|---|---|---|
Plosiva | *p | *t | *k | *ʔ | |
Fricativa | *s | *ʃ | *x | *h | |
nasal | *m | *n | |||
Aproximante | *w | *r | *j |
Com relação às vogais, cinco vogais orais estão sendo reconstruídas /*i, *e, *a, *o, *u/ e também três nasais /*ĩ, *ã, *ũ/. Wolff também reconstruiu alguns clusters consonantais /*tk, *kʃ, *ʃk, *sp/.
Proposta atual |
O trabalho colaborativo envolvendo um número de Siouxanistas começou no “Comparative Siouan Workshop (1984)na Universidade do Colorado com o objetivo de criar um dicionário comparativo de Sioux que incluiria reconstruções Proto-Sioux..[4] Este trabalho produziu uma análise diferente do sistema fonêmico do proto-Siouan, que aparece abaixo:[5]
Consoantes |
Labial | Coronal | Palatal | Velar | Glotal | ||
|---|---|---|---|---|---|---|
Plosiva | tenuis plana | *p | *t | *k | *ʔ | |
| Ejetiva glotalizada | *pʼ | *tʼ | *kʼ | |||
pre-aspirada | *ʰp | *ʰt | *ʰk | |||
post-aspirada | *pʰ | *tʰ | *kʰ | |||
Fricativa | tenuis plana | *s | *ʃ | *x | *h | |
| ejetiva glotalizada | *sʼ | *ʃʼ | *xʼ | |||
Sonorante | *w | *r | *j | |||
Obstruente | *W | *R | ||||
Vogais |
Vogais orais |
Anterior | Central | Posterior | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| ‘‘vogal curta’’ | ‘‘vogal longa’’ | ‘‘vogal curta’’ | ‘‘vogal longa’’ | ‘‘vogal curta’’ | ‘‘vogal longa’’ | |
Fechada | *i | *iː | *u | *uː | ||
| Medial | *e | *eː | *o | *oː | ||
Aberta | *a | *aː | ||||
Vogais nasais |
Anterior | Central | Posterior | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| ‘‘vogal curta’’ | ‘‘vogal longa’’ | ‘‘vogal curta’’ | ‘‘vogal longa’’ | ‘‘vogal curta’’ | ‘‘vogal longa’’ | |
Fechada | *ĩ | *ĩː | *ũ | *ũː | ||
| Medial | ||||||
Aberta | *ã | *ãː | ||||
Vogais |
Trabalhos mais antigos sobre Proto-Sioux apenas apresentavam extensão única de vogal única. No entanto, a extensão da vogal fonêmica existe em várias línguas Sioux, como Hidatsa, Winnebago (Ho-Chunk) e Tutelo. Rankin e outros (2015) analisam múltiplas instâncias de vogais longas como presentes devido a herança comum em vez de uma inovação comum. As cinco vogais orais e três vogais nasais apresentadas por estudiosos anteriores devem ser usadas como uma distinção entre vogais curtas e longas. O sistema de vogais Proto-Sioux proposto aparece abaixo:
Amostras de textos |
Dakota Sioux (The Deer Woman)
ortografia White Hat
Wic̀as̀a waƞ wayei k’a taḣc̄a num wic̀ao k̄eyap̄i’. T̄aƞyena wic̀apat̄e c̀’a tado k̄iƞ tas̀uƞk̄e k’iƞkiye c̀’a wana wi kuc̄iyena c̀aƞke t̄iyat̄ak̄iya k̄uyaƞk̄a k̄eyap̄i’. Maya waƞ apajejeyena asnik̄iya-iyot̄ak̄a uƞkaƞ akot̄aƞhaƞ wiƞyaƞ waƞ maya-akdakda tahenak̄iya uyaƞk̄a e waƞyak̄ yaƞk̄a keyap̄i’. Wana hihuƞni k’a wic̀as̀a kiƞ isakip̄ hinajiƞ k’eyas̀ inina yaƞk̄a uƞkaƞ haƞk̄eya kic̀i iyot̄ak̄e c’a – T̄oke iyemayak̄iyes̀ni se? T̄oka uƞkaƞ inina naƞk̄a ha? – eye c̀’a is̀ iya maya k̄iƞ ed hu ġeġeya iyot̄ak̄a k̄eyap̄i’.
Ortografia Ulrich
Wičháša waƞ wayéi k’a tháȟča núm wičháo kéyápi’. Taƞyéna wičháphate č’a thadó kiƞ thašúƞke k’iƞkhíye č’a waná wí khúčiyena čhaƞkhé tiyátakiya kúyaƞka kéyápi’. Mayá waƞ aphážežeyena asníkiya-iyotaka uƞkháƞ akhótaƞhaƞ wíƞyaƞ waƞ mayá-akdákda thahénakiya úyaƞka e waƞyák yaƞká kéyápi’. Waná hihúƞni k’a wičháša kiƞ isákhip hinážiƞ k’éyaš inína yaƞká uƞkháƞ haƞkéya kičhí íyotake č’a – Tokhe iyémayakiyešni se? Tókha uƞkháƞ inína naƞká he? – eyé č’a íš iyá mayá kiƞ éd hú ǧéǧeya íyotaka kéyápi’.
Parte de uma história chamada "The Deer Woman", escrita por Ella Deloria.[6]
Ortografia Lakhota Sioux
Menino do mocassim tartaruga
Hećeś hokśila wan kunśitku kićilaḣći ti śke. Yunkan anpetu wan el kunśitku kin ćanḳin iyaya ćanke hokśila kin iśnala tiyata yanke ćin ićunhan hitunkala wan taku yaḳoġa-han ća naḣun keye. Ḳeyaś he winuḣćala kin woyute mahel yuha kin hokśila kin hehanhunniyan slolye śni keye. Ho, tka wana le naḣun kin un wole yunkan wasna wan lila waśte kunśitku kin gnaka ća he e ća hitunkala kin yuta-han keye. ("Turtle Moccasin Boy" por Ella Deloria com ortografia Riggs 1852.
Homem salvo por águias
Eháŋni héčheš oyáte waŋ igláka áyiŋ na waná éthipi yuŋhĥáŋ wičháša waŋ tĥawiču kiŋ hečíya: "Winúĥča, itĥó wayé mní kte ló, " eyá.
Ečháš toháŋ waglí šni héhaŋ éna thí po, " eyá.
Artigo 1 – Declaração dos Direitos Humanos
Wičháša na wíŋyaŋ otóiyohi iglúhapi na iyéhaŋyaŋ wówažapi. Tȟaŋmáhel slol'íč'iyapi na kičhíwičhowepi s'e kičhíčhuwapi kta héčha.
(Lakota Sioux por Joe Bellman)
Tradução literal
Cada um e todos homens e mulheres é livre e tem coisas e direitos iguais. Eles estão seguros de si próprios nas suas mentes, e devem tratar os outros como se fossem irmãos (de sangue).
Tradução padrão
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Eles são dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros em espírito de fraternidade.
Notas |
↑ Paulo Correia; Direção-Geral da Tradução — Comissão Europeia (Outono de 2012). «Etnónimos, uma categoria gramatical à parte?» (PDF). Sítio Web da Direção-Geral de Tradução da Comissão Europeia no portal da União Europeia. a folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (N.º 40): 29. ISSN 1830-7809. Consultado em 13 de janeiro de 2013 !CS1 manut: Nomes múltiplos: lista de autores (link)
↑ Kasak, Ryan (2016). «A distant genetic relationship between Siouan-Catawban and Yuchi»
↑ Wolff, Hans (1950). «Comparative Siouan II.». International Journal of American Linguistics. 16 (3): 113–121. doi:10.1086/464075
↑ Rankin, Robert L., Carter, Richard T., Jones, A. Wesley, Koontz, John E., Rood, David S. & Hartmann, Iren (Eds.). (2015). Comparative Siouan Dictionary. Leipzig, Germany: Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology. (Available online at http://csd.clld.org, Accessed on 2015-12-13.)
↑ Rankin, Robert L., Carter, Richard T. & Jones, A. Wesley (n.d.). Proto-Siouan Phonology and Grammar. Ms. University of Kansas.
↑ [ http://www.languagegeek.com/siouan/y_dakotastory.html conforme language Geek]
Bibliografia |
- Parks, Douglas R.; & Rankin, Robert L. (2001). "The Siouan languages." In R. J. DeMallie (Ed.), Handbook of North American Indians: Plains (Vol. 13, Part 1, pp. 94–114). W. C. Sturtevant (Gen. Ed.). Washington, D.C.: Smithsonian Institution. ISBN 0-16-050400-7.
Voegelin, C.F. (1941). «Internal Relationships of Siouan Languages». American Anthropologist. 42 (2): 246–249. JSTOR 662955. doi:10.1525/aa.1941.43.2.02a00080
Rudin, Catherine; Gordon, Bryan James, eds. (2016). Advances in the study of Siouan languages and linguistics. Col: Studies in Diversity Linguistics. Berlin: Language Science Press. ISBN 978-3-946234-37-1. doi:10.17169/langsci.b94.118
Ligações externas |
- Siouan languages mailing list archive
- Família Sioux em Omniglot.com
- Cree em Sicc.sk.ca
- Lakhota em Inext.cz – Dialetos Sioux
- Lakhota em Inext.cz - Sioux
- Lições de Lakhota
- Dicionário Lakhota 1
- Dicionário Lakhota 2
- Site Lakhota
- Livros Lakhota
- Legado e Cultura Lakhota
- Informações sobre língua, cursos e música Lakhota
- Fogueira Sagrada Oceti Wakan