Transformada de Hilbert






O matemático alemão David Hilbert em foto de 1886.


Em matemática, a transformada de Hilbert é uma transformada integral que mapeia uma função f(x) em uma outra, û(x) (portanto, no mesmo domínio[nota 1][nota 2]).[1][2]


Ela recebeu esse nome em homenagem ao matemático alemão David Hilbert, que, em 1905, estudou uma transformação similar com vistas a estudar o Problema de Riemann-Hilbert sobre o círculo. Não foi, portanto, o próprio Hilbert que definiu essa transformada, e sim o matemático britânico Godfrey Harold Hardy, em 1925 (ver abaixo. Pesquisas posteriores fixaram a forma da transformação como hoje é usada, mostraram sua utilidade em campos diferentes de aplicação, como a análise harmónica,[2] o processamento digital de sinais,[3] a óptica,[1] a sismologia,[1] a física quântica,[3] a fisiologia[4] e a acústica,[4] e introduziram variações, como a Transformada Discreta de Hilbert, a Transformada de Hilbert Bilinear e a Transformada de Hilbert Trilinear.


A utilidade da transformada de Hilbert advém do fato de a função g(x) = f(x) + i·û(x) (onde i é unidade imaginária) ser sempre uma função analítica (também chamada de função regular e função holomorfa) na metade superior do plano complexo, ou seja, uma função que é infinitamente diferenciável nesse domínio. Em outras palavras, em toda função analítica, a parte imaginária é a transformada de Hilbert da parte real.[1][nota 3] Assim, a transformação de Hilbert é uma maneira prática de se obter a conjugada de uma função real qualquer f(x). Daí decorrem diversas aplicações práticas:



  1. Para obter-se uma representação analítica de uma função. Em diversas aplicações, é mais fácil trabalhar com a função complexa g(x), por ser analítica, do que com a função real f(x).[1]

  2. Como uma maneira de generalizar o conceito de fasor em aplicações onde se lida com sinais de frequências variáveis no tempo. Neste caso, diferentemente da transformada de Fourier e outras relacionadas, representa-se o sinal não como uma soma dos seus componentes senoidais, e sim como um produto de duas funções, uma de alta e outra de baixa frequência.[5]

  3. Como uma ferramenta para demodular um sinal, obtendo o seu envelope (ou envoltória).[6]


Este verbete trata principalmente da transformada "contínua" de Hilbert, isto é, a transformada de funções definidas em um espaço euclideano. A transformação pode ser aplicada também em espaços discretos (ver Transformada discreta de Hilbert, mais abaixo).) e espaços contínuos não-euclideanos, como um toroide[3](ver Extensões em outros espaços, mais abaixo).




Índice






  • 1 Definição


    • 1.1 Convenções


    • 1.2 Cálculo e condições de existência


    • 1.3 Tabela de transformadas de Hilbert


    • 1.4 Transformada inversa[nota 5]


    • 1.5 Convolução


    • 1.6 Formas alternativas da transformada de Hilbert




  • 2 Propriedades elementares


    • 2.1 Linearidade


    • 2.2 Dilatação e deslocamento do eixo


    • 2.3 Convolução


    • 2.4 Comutatividade com relação à diferenciação


    • 2.5 Invariância




  • 3 Relação com as equações de Cauchy-Riemann


  • 4 Interpretações físicas


    • 4.1 Interpretação no domínio do tempo


    • 4.2 Interpretação no domínio da frequência


    • 4.3 Causalidade


    • 4.4 Implementação física de transformadores de Hilbert




  • 5 Outras propriedades importantes


    • 5.1 Conjugado harmônico


    • 5.2 Simetria e ortogonalidade


    • 5.3 Transformada de um produto de funções


    • 5.4 Autocorrelação




  • 6 Representações alternativas para a função f(x)


    • 6.1 Filtros passa-baixas e passa-altas


    • 6.2 Funções conjugadas




  • 7 Cálculo por métodos numéricos


  • 8 Aplicações


    • 8.1 Modulação


    • 8.2 Demodulação


    • 8.3 Fasor no domínio da frequência




  • 9 Transformada Discreta de Hilbert


    • 9.1 Relação com a Transformada Discreta de Fourier


    • 9.2 Cálculo dos coeficientes


    • 9.3 O núcleo discreto de Hilbert


    • 9.4 Propriedades




  • 10 Extensões para outros espaços


    • 10.1 Extensão para espaços multidimensionais


    • 10.2 Paridade do sinal de entrada


    • 10.3 Relação com a transformada de Fourier multidimensional


    • 10.4 Transformada Fracional de Hilbert


    • 10.5 Funções separáveis


    • 10.6 Ortogonalidade


    • 10.7 Extensão do teorema de Bedrosian


    • 10.8 Transformadores de Hilbert multidimensionais




  • 11 História do desenvolvimento da teoria


  • 12 Notas


  • 13 Referências


  • 14 Ver também


  • 15 Ligações externas





Definição |


A transformada de Hilbert de uma função f(x) é definida por:



H{f(x)}=u^(x)=1π∫−∞∞f(u)u−xdu(1a){displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;{frac {1}{pi }}int _{-infty }^{infty }{frac {f(u)}{u-x}};du;;;;;(1a)}{displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;{frac {1}{pi }}int _{-infty }^{infty }{frac {f(u)}{u-x}};du;;;;;(1a)}





Convenções |


Como também acontece com outras transformadas, o sinal da integral na definição é matéria de convenção e pode ser invertido sem mudança nas propriedades essenciais da Transformada de Hilbert. Tal inversão se encontra frequentemente na literatura.


Também é frequente expressar a variável independente na transformada como y, em lugar de x, para deixar mais clara a relação entre as funções û(y) e f(x). Tal convenção não foi usada aqui.


Neste verbete, como se verifica em toda a literatura, x é sempre uma variável real. Portanto, f(x) e û(x) são sempre funções reais. s e z denotam variáveis complexas. k (minúscula), l, m e n são constantes reais inteiras. a e b são constantes complexas. K (maiúscula), p e q são constantes reais. t e ω são variáveis reais, denotando sempre as grandezas físicas tempo e frequência angular. Evitou-se referenciar a grandeza física frequência linear, de forma a evitarem-se ambiguidades; quando necessário, usa-se a expressão ω2π{displaystyle {frac {omega }{2pi }}}{displaystyle {frac {omega }{2pi }}}.



Cálculo e condições de existência |


O cálculo da integral contida na definição apresenta dificuldades, não só porque se trata de uma integral imprópria com limites infinitos, mas principalmente porque o integrando assume valores infinitos dentro do intervalo de integração (o que se chama uma singularidade). Para contornar essas dificuldades, divide-se a integral em duas partes de modo a obter-se a formulação alternativa



H{f(x)}=u^(x)=1πlimϵ→0(∫x−1ϵx−ϵf(u)u−xdu+∫x+ϵx+1ϵf(u)u−xdu)(2){displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;{frac {1}{pi }};lim _{epsilon to 0}left(int _{x-{frac {1}{epsilon }}}^{x-epsilon }{frac {f(u)}{u-x}};du;+;int _{x+epsilon }^{x+{frac {1}{epsilon }}}{frac {f(u)}{u-x}};duright);;;;;(2)}{displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;{frac {1}{pi }};lim _{epsilon to 0}left(int _{x-{frac {1}{epsilon }}}^{x-epsilon }{frac {f(u)}{u-x}};du;+;int _{x+epsilon }^{x+{frac {1}{epsilon }}}{frac {f(u)}{u-x}};duright);;;;;(2)}




efetivamente excluindo-se do cálculo um intervalo simétrico de comprimento 2ε em torno da singularidade. Essa forma é chamada de valor principal de Cauchy da integral, por isso é comum, em textos mais formais, encontrar a definição da Transformada de Hilbert escrita assim:



H{f(x)}=u^(x)=1πPV(∫−∞∞f(u)u−xdu)(3){displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;{frac {1}{pi }}PVleft(int _{-infty }^{infty }{frac {f(u)}{u-x}};duright);;;;;(3)}{displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;{frac {1}{pi }}PVleft(int _{-infty }^{infty }{frac {f(u)}{u-x}};duright);;;;;(3)}




As expressões (2) e (3) são rigorosamente equivalentes. Neste verbete, usamos (1a), por brevidade.


Substituindo-se variáveis (v = x + u, w = x - u), obtêm-se outras formulações alternativas:



H{f(x)}=u^(x)=1πlimϵ→0∫ϵ∞f(x+u)−f(x−u)udu(4){displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;{frac {1}{pi }};lim _{epsilon to 0}int _{epsilon }^{infty }{frac {f(x+u);-;f(x-u)}{u}};du;;;;;(4)}{displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;{frac {1}{pi }};lim _{epsilon to 0}int _{epsilon }^{infty }{frac {f(x+u);-;f(x-u)}{u}};du;;;;;(4)}



H{f(x)}=u^(x)=−1π∫−∞∞f(x−u)udu(5){displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;-;{frac {1}{pi }}int _{-infty }^{infty }{frac {f(x;-;u)}{u}};du;;;;;(5)}{displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;-;{frac {1}{pi }}int _{-infty }^{infty }{frac {f(x;-;u)}{u}};du;;;;;(5)}




Para que a integral em (2) convirja, a função f(x) precisa atender a certas condições. Titchmarsh demonstrou que as funções no Espaço Lp com 1<p<∞ possuem transformadas de Hilbert, bem como algumas no L1.[7]


Sabe-se também que a chamada condição de Paley-Wiener é necessária e suficiente para que a transformada exista.[3]


A maioria das funções[nota 4] de interesse em engenharia incluem-se nessa categoria. A tabela abaixo lista algumas dessas funções e suas respectivas transformadas.



Tabela de transformadas de Hilbert |


Para detalhes, ver também Derivação de algumas transformadas de Hilbert.




A transformada de Hilbert (em vermelho) de uma onda quadrada (em azul).



























































































Tabela 1 - Transformadas de Hilbert de algumas funções f(x)[8][2][1]

f(x){displaystyle f(x)}f(x)

u^(x){displaystyle {hat {u}}(x)}{displaystyle {hat {u}}(x)}
K{displaystyle K}K
0{displaystyle 0}{displaystyle 0}
eix{displaystyle e^{ix}}e^{{ix}}
ieix{displaystyle ie^{ix}}{displaystyle ie^{ix}}
e−ix{displaystyle e^{-ix}}{displaystyle e^{-ix}}
−ie−ix{displaystyle -;ie^{-ix}}{displaystyle -;ie^{-ix}}
sin⁡(x){displaystyle sin(x)}sin(x)
cos⁡(x){displaystyle cos(x)}{displaystyle cos(x)}
cos⁡(x){displaystyle cos(x)}{displaystyle cos(x)}
−sin⁡(x){displaystyle -;sin(x)}{displaystyle -;sin(x)}
cas⁡(x){displaystyle operatorname {cas} (x)}{displaystyle operatorname {cas} (x)}
cas⁡(−x){displaystyle operatorname {cas} (-x)}{displaystyle operatorname {cas} (-x)}
sin2⁡(x){displaystyle sin ^{2}(x)}{displaystyle sin ^{2}(x)}
12sin⁡(2x){displaystyle {frac {1}{2}};sin(2x)}{displaystyle {frac {1}{2}};sin(2x)}
cos2⁡(x){displaystyle cos ^{2}(x)}{displaystyle cos ^{2}(x)}
−12cos⁡(2x){displaystyle -;{frac {1}{2}};cos(2x)}{displaystyle -;{frac {1}{2}};cos(2x)}
δ(x){displaystyle delta (x)}{displaystyle delta (x)}
−1πx{displaystyle -;{frac {1}{pi x}}}{displaystyle -;{frac {1}{pi x}}}
1x{displaystyle {frac {1}{x}}}{frac  {1}{x}}
πδ(x){displaystyle pi delta (x)}{displaystyle pi delta (x)}
xx2+1{displaystyle {frac {x}{x^{2}+1}}}{displaystyle {frac {x}{x^{2}+1}}}
1x2+1{displaystyle {frac {1}{x^{2}+1}}}{displaystyle frac{1}{x^2+1}}
1x2+1{displaystyle {frac {1}{x^{2}+1}}}{displaystyle frac{1}{x^2+1}}
−xx2+1{displaystyle -;{frac {x}{x^{2}+1}}}{displaystyle -;{frac {x}{x^{2}+1}}}
x2−1(x2+1)2{displaystyle {frac {x^{2}-1}{(x^{2}+1)^{2}}}}{displaystyle {frac {x^{2}-1}{(x^{2}+1)^{2}}}}
2x(x2+1)2{displaystyle {frac {2x}{(x^{2}+1)^{2}}}}{displaystyle {frac {2x}{(x^{2}+1)^{2}}}}
x(x2+1)2{displaystyle {frac {x}{(x^{2}+1)^{2}}}}{displaystyle {frac {x}{(x^{2}+1)^{2}}}}
121−x2(x2+1)2{displaystyle {frac {1}{2}}{frac {1-x^{2}}{(x^{2}+1)^{2}}}}{displaystyle {frac {1}{2}}{frac {1-x^{2}}{(x^{2}+1)^{2}}}}
1|x|{displaystyle {frac {1}{sqrt {|x|}}}}{displaystyle {frac {1}{sqrt {|x|}}}}
1|x|{displaystyle {frac {1}{sqrt {|x|}}}}{displaystyle {frac {1}{sqrt {|x|}}}}
rect⁡(x){displaystyle operatorname {rect} (x)}{displaystyle operatorname {rect} (x)}
1πln⁡|x−12x+12|{displaystyle {frac {1}{pi }}ln left|{frac {x;-;{frac {1}{2}}}{x;+;{frac {1}{2}}}}right|}{displaystyle {frac {1}{pi }}ln left|{frac {x;-;{frac {1}{2}}}{x;+;{frac {1}{2}}}}right|}
tri⁡(x){displaystyle operatorname {tri} (x)}{displaystyle operatorname {tri} (x)}
1π(ln⁡|x−1x+1|+ln⁡|x2x2− 1|){displaystyle {frac {1}{pi }}left(ln left|{frac {x;-;1}{x;+;1}}right|;+;ln left|{frac {x^{2}}{x^{2};- 1}}right|right)}{displaystyle {frac {1}{pi }}left(ln left|{frac {x;-;1}{x;+;1}}right|;+;ln left|{frac {x^{2}}{x^{2};- 1}}right|right)}
sinc⁡(x){displaystyle operatorname {sinc} (x)}{displaystyle operatorname {sinc} (x)}
cos⁡(πx)−1x{displaystyle {frac {cos(pi x);-;1}{x}}}{displaystyle {frac {cos(pi x);-;1}{x}}}
sin⁡(x)x{displaystyle {frac {sin(x)}{x}}}{displaystyle {frac {sin(x)}{x}}}
cos⁡(x)−1x{displaystyle {frac {cos(x);-;1}{x}}}{displaystyle {frac {cos(x);-;1}{x}}}
e−x2{displaystyle e^{-x^{2}}}e^{{-x^{2}}}
−e−x2erfi⁡(x){displaystyle -;e^{-x^{2}}operatorname {erfi} (x)}{displaystyle -;e^{-x^{2}}operatorname {erfi} (x)}

onde:


  • cas⁡(x){displaystyle operatorname {cas} (x),}{displaystyle operatorname {cas} (x),} (ing. "cosine and sine") é o núcleo da Transformada de Hartley


  • δ(x){displaystyle delta (x),}delta (x), é a função impulso unitário


  • rect⁡(x){displaystyle operatorname {rect} (x),}{displaystyle operatorname {rect} (x),} é a função retangular


  • sinc⁡(x){displaystyle operatorname {sinc} (x),}{displaystyle operatorname {sinc} (x),} é a função seno cardinal


  • tri⁡(x){displaystyle operatorname {tri} (x),}{displaystyle operatorname {tri} (x),} é a função triangular


  • erfi⁡(x){displaystyle operatorname {erfi} (x),}{displaystyle operatorname {erfi} (x),} é a função erro imaginário




Transformada inversa[nota 5] |


A transformada de Hilbert tem a propriedade conveniente de ser o negativo de sua própria inversa (o que se chama uma anti-involução):


H{f(x)}=u^(x)=−H−1{f(x)}{displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;-;{mathcal {H}}^{-1}{f(x)}}{displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;-;{mathcal {H}}^{-1}{f(x)}}


Isso é uma consequência do fato de a aplicação da transformação duas vezes sucessivas resultar no negativo da função original


H{u^(x)}=H{H{f(x)}}=−f(x){displaystyle {mathcal {H}}{{hat {u}}(x)};=;{mathcal {H}}{{mathcal {H}}{f(x)}};=;-;f(x)}{displaystyle {mathcal {H}}{{hat {u}}(x)};=;{mathcal {H}}{{mathcal {H}}{f(x)}};=;-;f(x)}


Uma consequência interessante é que a aplicação da transformação três vezes sucessivas resulta na transformada inversa


H{H{H{f(x)}}}=f(x){displaystyle {mathcal {H}}{{mathcal {H}}{{mathcal {H}}{f(x)}}};=;f(x)}{displaystyle {mathcal {H}}{{mathcal {H}}{{mathcal {H}}{f(x)}}};=;f(x)}


e assim por diante. Essas propriedades ficam mais claras se expressas através de operadores:



  • H=−H−1{displaystyle {mathcal {H}};=;-;{mathcal {H}}^{-1}}{displaystyle {mathcal {H}};=;-;{mathcal {H}}^{-1}}

  • H2=−I{displaystyle {mathcal {H}}^{2};=;-;{mathcal {I}}}{displaystyle {mathcal {H}}^{2};=;-;{mathcal {I}}}

  • H3=H−1{displaystyle {mathcal {H}}^{3};=;{mathcal {H}}^{-1}}{displaystyle {mathcal {H}}^{3};=;{mathcal {H}}^{-1}}

  • H4=I{displaystyle {mathcal {H}}^{4};=;{mathcal {I}}}{displaystyle {mathcal {H}}^{4};=;{mathcal {I}}}



Convolução |


Por inspeção direta da expressão (1a), percebe-se que a função û(x) é a convolução da função f(x) com a função (−1πx){displaystyle left(-;{frac {1}{pi ;x}}right)}{displaystyle left(-;{frac {1}{pi ;x}}right)}. Essa função é chamada núcleo de Hilbert, e será denotada neste verbete como h(x). Assim, uma outra expressão para a definição da Transformada de Hilbert é a seguinte:


H{f(x)}=u^(x)=h(x)∗f(x)(6a){displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;h(x)*f(x);;;;;;(6a)}{displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(x);=;h(x)*f(x);;;;;;(6a)}



Formas alternativas da transformada de Hilbert |


A transformada de Hilbert, definida pela equação (1a), pode ser expressa de forma alternativa com a introdução das variáveis auxiliares η e ζ tais que



x=tan⁡(η2)u=tan⁡(ζ2)(1b){displaystyle x;=;tan left({frac {eta }{2}}right);;;;;u;=;tan left({frac {zeta }{2}}right);;;;;(1b)}{displaystyle x;=;tan left({frac {eta }{2}}right);;;;;u;=;tan left({frac {zeta }{2}}right);;;;;(1b)}




obtendo-se as expressões



H{f(x)}=u^(ζ)=12π∫−ππf(tan⁡(η2))⋅[tan⁡(η2)+cot⁡(η−ζ2)]dη(1c){displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(zeta );=;{frac {1}{2pi }}int _{-pi }^{pi }fleft(tan left({frac {eta }{2}}right)right)cdot left[tan left({frac {eta }{2}}right);+;cot left({frac {eta ;-;zeta }{2}}right)right];deta ;;;;;(1c)}{displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(zeta );=;{frac {1}{2pi }}int _{-pi }^{pi }fleft(tan left({frac {eta }{2}}right)right)cdot left[tan left({frac {eta }{2}}right);+;cot left({frac {eta ;-;zeta }{2}}right)right];deta ;;;;;(1c)}




e



H{f(x)}=u^(ζ)=12π∫02πf(−cot⁡(η2))⋅[cot⁡(η2)+cot⁡(η−ζ2)]dη(1d){displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(zeta );=;{frac {1}{2pi }}int _{0}^{2pi }fleft(-cot left({frac {eta }{2}}right)right)cdot left[cot left({frac {eta }{2}}right);+;cot left({frac {eta ;-;zeta }{2}}right)right];deta ;;;;;(1d)}{displaystyle {mathcal {H}}{f(x)};=;{hat {u}}(zeta );=;{frac {1}{2pi }}int _{0}^{2pi }fleft(-cot left({frac {eta }{2}}right)right)cdot left[cot left({frac {eta }{2}}right);+;cot left({frac {eta ;-;zeta }{2}}right)right];deta ;;;;;(1d)}




Quando definida por meio das equações (1c) ou (1d), a transformada de Hilbert possui todas as propriedades da transformação definida pela equação (1a), inclusive a anti-simetria da transformada inversa, e ainda a propriedade adicional de ser uma função periódica em ζ.[9]



Propriedades elementares |



Linearidade |


Da expressão (1a), segue-se imediatamente que a transformada de Hilbert é um operador linear. Assim, podemos escrever


H{a1f1(x)+a2f2(x)}=a1H{f1(x)}+a2H{f2(x)}{displaystyle {mathcal {H}}{a_{1}f_{1}(x);+;a_{2}f_{2}(x)};=;a_{1}{mathcal {H}}{f_{1}(x)};+;a_{2}{mathcal {H}}{f_{2}(x)}}{displaystyle {mathcal {H}}{a_{1}f_{1}(x);+;a_{2}f_{2}(x)};=;a_{1}{mathcal {H}}{f_{1}(x)};+;a_{2}{mathcal {H}}{f_{2}(x)}}



Dilatação e deslocamento do eixo |


Da expressão (1a), segue-se imediatamente que


H{f(ax)}=sgn⁡(a)⋅u^(ax){displaystyle {mathcal {H}}{f(ax)};=;operatorname {sgn} (a);cdot ;{hat {u}}(ax)}{displaystyle {mathcal {H}}{f(ax)};=;operatorname {sgn}(a);cdot ;{hat {u}}(ax)}


onde sgn(a) é a chamada função sinal de a, e


H{f(x+a)}=u^(x+a){displaystyle {mathcal {H}}{f(x;+;a)};=;{hat {u}}(x;+;a)}{displaystyle {mathcal {H}}{f(x;+;a)};=;{hat {u}}(x;+;a)}



Convolução |


Da expressão (1a), também se segue que


H{f1(x)∗f2(x)}=H{f1(x)}∗f2(x)=f1∗H{f2(x)}{displaystyle {mathcal {H}}{f_{1}(x);*;f_{2}(x)};=;{mathcal {H}}{f_{1}(x)};*;f_{2}(x);=;f_{1};*;{mathcal {H}}{f_{2}(x)}}{displaystyle {mathcal {H}}{f_{1}(x);*;f_{2}(x)};=;{mathcal {H}}{f_{1}(x)};*;f_{2}(x);=;f_{1};*;{mathcal {H}}{f_{2}(x)}}


e que


H{f1(x)∗f2(x)}=−H{f1(x)}∗H{f2(x)}{displaystyle {mathcal {H}}{f_{1}(x);*;f_{2}(x)};=;-;{mathcal {H}}{f_{1}(x)};*;{mathcal {H}}{f_{2}(x)}}{displaystyle {mathcal {H}}{f_{1}(x);*;f_{2}(x)};=;-;{mathcal {H}}{f_{1}(x)};*;{mathcal {H}}{f_{2}(x)}}



Comutatividade com relação à diferenciação |


Da expressão (5), aplicando-se a fórmula de Leibniz para a derivação de uma integral, segue-se que


ddxH{f(x)}=ddx(−1π∫−∞∞f(x−u)udu)=−1π∫−∞∞∂∂x(f(x−u)u)du{displaystyle {frac {d}{dx}};{mathcal {H}}{f(x)};=;{frac {d}{dx}}left(;-;{frac {1}{pi }}int _{-infty }^{infty }{frac {f(x;-;u)}{u}};duright);=;-;{frac {1}{pi }};int _{-infty }^{infty }{frac {partial }{partial x}}left({frac {f(x;-;u)}{u}}right);du}{displaystyle {frac {d}{dx}};{mathcal {H}}{f(x)};=;{frac {d}{dx}}left(;-;{frac {1}{pi }}int _{-infty }^{infty }{frac {f(x;-;u)}{u}};duright);=;-;{frac {1}{pi }};int _{-infty }^{infty }{frac {partial }{partial x}}left({frac {f(x;-;u)}{u}}right);du}


ddxH{f(x)}=−1π∫−∞∞1u⋅ddxf(x−u)⋅du=H{ddxf(x)}{displaystyle {frac {d}{dx}};{mathcal {H}}{f(x)};=;-;{frac {1}{pi }};int _{-infty }^{infty }{frac {1}{u}}cdot {frac {d}{dx}}f(x;-;u)cdot du;=;{mathcal {H}}{{frac {d}{dx}};f(x)}}{displaystyle {frac {d}{dx}};{mathcal {H}}{f(x)};=;-;{frac {1}{pi }};int _{-infty }^{infty }{frac {1}{u}}cdot {frac {d}{dx}}f(x;-;u)cdot du;=;{mathcal {H}}{{frac {d}{dx}};f(x)}}



Invariância |


O operador H{displaystyle {mathcal {H}}}mathcal{H} apresenta propriedades de invariância quando combinado com outros operadores; por exemplo, o operador da transformação de Fourier, F{displaystyle {mathcal {F}}}mathcal{F}:


H=F−1⋅H⋅F(6b){displaystyle {mathcal {H}};=;{mathcal {F}}^{-1}cdot {mathcal {H}}cdot {mathcal {F}};;;;;(6b)}{displaystyle {mathcal {H}};=;{mathcal {F}}^{-1}cdot {mathcal {H}}cdot {mathcal {F}};;;;;(6b)}


Essa propriedade deriva do fato de a transformada de Hilbert da função impulso unitário ser igual ao núcleo de Hilbert h(x).



Relação com as equações de Cauchy-Riemann |


O fato de uma função u(x){displaystyle u(x)}{displaystyle u(x)} e sua transformada u^(x){displaystyle {hat {u}}(x)}{displaystyle {hat {u}}(x)} estarem relacionadas de forma tal que a função complexa f(z)=u(z)+iu^(z){displaystyle f(z);=;u(z)+i{hat {u}}(z)}{displaystyle f(z);=;u(z)+i{hat {u}}(z)} é analítica no semi-plano superior complexo implica que as equações de Cauchy-Riemann são obedecidas, ou seja, pode-se escrever:



∂u∂x=∂u^∂y{displaystyle {frac {partial u}{partial x}};=;{frac {partial {hat {u}}}{partial y}}}{displaystyle {frac {partial u}{partial x}};=;{frac {partial {hat {u}}}{partial y}}}



∂u∂y=−∂u^∂x{displaystyle {frac {partial u}{partial y}};=;-{frac {partial {hat {u}}}{partial x}}}{displaystyle {frac {partial u}{partial y}};=;-{frac {partial {hat {u}}}{partial x}}}



∀z=x+iy|y≥0{displaystyle forall z;=;x;+;iy;|;y;geq ;0}{displaystyle forall z;=;x;+;iy;|;y;geq ;0}




Em consequência, se derivarmos novamente as equações acima, obteremos



∂2u∂x2=∂2u^∂x∂y{displaystyle {frac {partial ^{2}u}{partial x^{2}}};=;{frac {partial ^{2}{hat {u}}}{partial xpartial y}}}{displaystyle {frac {partial ^{2}u}{partial x^{2}}};=;{frac {partial ^{2}{hat {u}}}{partial xpartial y}}}



∂2u∂y2=−∂2u^∂y∂x{displaystyle {frac {partial ^{2}u}{partial y^{2}}};=;-{frac {partial ^{2}{hat {u}}}{partial ypartial x}}}{displaystyle {frac {partial ^{2}u}{partial y^{2}}};=;-{frac {partial ^{2}{hat {u}}}{partial ypartial x}}}




assim,



∂2u∂x2+∂2u∂y2=0(6c){displaystyle {frac {partial ^{2}u}{partial x^{2}}};+;{frac {partial ^{2}u}{partial y^{2}}};=;0;;;;;(6c)}{displaystyle {frac {partial ^{2}u}{partial x^{2}}};+;{frac {partial ^{2}u}{partial y^{2}}};=;0;;;;;(6c)}




De forma similar, podemos obter também



∂2u^∂x2+∂2u^∂y2=0(6d){displaystyle {frac {partial ^{2}{hat {u}}}{partial x^{2}}};+;{frac {partial ^{2}{hat {u}}}{partial y^{2}}};=;0;;;;;(6d)}{displaystyle {frac {partial ^{2}{hat {u}}}{partial x^{2}}};+;{frac {partial ^{2}{hat {u}}}{partial y^{2}}};=;0;;;;;(6d)}




Como a função u(z) é real, temos obrigatoriamente



u(x,0)=u(x)(6e){displaystyle u(x,0);=;u(x);;;;;(6e)}{displaystyle u(x,0);=;u(x);;;;;(6e)}



limx→∞u(x,y)=limx→−∞u(x,y)=limy→∞u(x,y)=0(6f){displaystyle lim _{xto infty }u(x,y);=;lim _{xto -infty }u(x,y)=lim _{yto infty }u(x,y);=;0;;;;;(6f)}{displaystyle lim _{xto infty }u(x,y);=;lim _{xto -infty }u(x,y)=lim _{yto infty }u(x,y);=;0;;;;;(6f)}




As equações (6c) e (6d) são exemplos da conhecida Equação de Laplace. Assim, a tarefa de encontrar o par de funções u(x){displaystyle u(x)}{displaystyle u(x)} e u^(x){displaystyle {hat {u}}(x)}{displaystyle {hat {u}}(x)} equivale a resolver um sistema de equações de Laplace com as condições de contorno dadas pelas equações (6e) e (6f).[4]





Interpretações físicas |



Interpretação no domínio do tempo |




Resposta do filtro de Hilbert no domínio do tempo.


Se, na expressão (6a), a variável independente for o tempo, a interpretação imediata é que a função û(t) é a resposta de um dispositivo a um sinal de entrada descrito por f(t). A função h(t) seria, nesse caso, a resposta desse dispositivo a um impulso unitário na sua entrada; tal resposta caracterizaria o dispositivo como um filtro linear invariante no tempo. Esse dispositivo é chamado filtro de Hilbert ou transformador de Hilbert (Hilbert transformer).[2]



Interpretação no domínio da frequência |




Resposta do filtro de Hilbert no domínio da frequência.


Se denotarmos a transformada de Fourier[nota 6] de uma função f(x) por F{f(x)}=G(ω){displaystyle {mathcal {F}}{f(x)};=;G(omega )}{displaystyle {mathcal {F}}{f(x)};=;G(omega )}, a sua aplicação ao núcleo de Hilbert h(x) dará


F{h(x)}=i⋅sgn⁡(ω)(7){displaystyle {mathcal {F}}{h(x)};=;icdot operatorname {sgn} (omega );;;;;(7)}{displaystyle {mathcal {F}}{h(x)};=;icdot operatorname {sgn}(omega );;;;;(7)}


Podemos calcular, a partir das expressões (6a) e (7), a transformada de Fourier de uma função û(x) qualquer, que denotaremos por G^(x){displaystyle {hat {G}}(x)}{displaystyle {hat {G}}(x)}


G^(x)=F{u^(x)}=F{f(x)∗h(x)}{displaystyle {hat {G}}(x);=;{mathcal {F}}{{hat {u}}(x)};=;{mathcal {F}}{f(x)*h(x)}}{displaystyle {hat {G}}(x);=;{mathcal {F}}{{hat {u}}(x)};=;{mathcal {F}}{f(x)*h(x)}}


G^(x)=F{f(x)}⋅F{h(x)}=G(ω)⋅(i⋅sgn⁡(ω)){displaystyle {hat {G}}(x);=;{mathcal {F}}{f(x)}cdot {mathcal {F}}{h(x)};=;G(omega )cdot (icdot operatorname {sgn} (omega ))}{displaystyle {hat {G}}(x);=;{mathcal {F}}{f(x)}cdot {mathcal {F}}{h(x)};=;G(omega )cdot (icdot operatorname {sgn}(omega ))}


G^(x)=F{u^(x)}={−iG(ω):ω<00:ω=0iG(ω):ω>0.(8a){displaystyle {hat {G}}(x);=;{mathcal {F}}{{hat {u}}(x)};=;left{{begin{matrix}-iG(omega )&:&omega <0\0&:&omega =0\iG(omega )&:&omega >0.end{matrix}}right.;;;;;(8a)}{displaystyle {hat {G}}(x);=;{mathcal {F}}{{hat {u}}(x)};=;left{{begin{matrix}-iG(omega )&:&omega <0\0&:&omega =0\iG(omega )&:&omega >0.end{matrix}}right.;;;;;(8a)}


Podemos interpretar (8a) no domínio da frequência, da seguinte maneira: a aplicação da transformada de Hilbert a uma função f(t) faz com que suas componentes harmônicas negativas sejam multiplicadas por -i, o que equivale a um deslocamento de −π2{displaystyle -{frac {pi }{2}}}{displaystyle -{frac {pi }{2}}} na sua fase, que suas componentes harmônicas positivas sejam multiplicadas por i, o que equivale a um deslocamento de fase de π2{displaystyle {frac {pi }{2}}}{displaystyle {frac {pi }{2}}}, e que a componente contínua (ω=0) seja eliminada. A partir dessa propriedade, vê-se claramente por que a aplicação dessa filtragem duas vezes sucessivas resulta exatamente na inversão do sinal original: todas as componentes são multiplicadas por i2 = -1.[2][1]


Em análise de sinais, como a transformação de Hilbert apenas muda a fase de um sinal de entrada f(t) (sendo que, nos casos práticos, t sempre é maior que 0), a densidade de energia espectral do sinal de saída û(t), que é dada por |û(t)|, é a mesma daquela do sinal de entrada, que é dada por |f(t)| ou 12πF(ω){displaystyle {frac {1}{2pi }}F(omega )}{displaystyle {frac {1}{2pi }}F(omega )}, de acordo com Lord Rayleigh (ver também o Teorema de Parseval e o Teorema de Plancherel, que são generalizações posteriores do teorema original de Rayleigh).[2][5]


Da expressão (8a), segue que, se o sinal f(t) e sua transformada û(t) forem expressos pelas correspondentes séries de Fourier, os componentes bk de uma serão iguais aos componentes ak da outra, a menos do sinal, para todo k > 0. Uma maneira informal de enunciar isso é dizer que a transformação de Hilbert troca os senos pelos cossenos na representação no domínio da frequência.


Uma consequência prática da expressão (8a) é que a transformada de Hilbert de um sinal f(t) pode ser computada através da transformada de Fourier deste (ver Cálculo por métodos numéricos).



Causalidade |


Diz-se que um filtro é causal quando sua saída num tempo tk não depende de nenhum valor de t > tk. Acredita-se que todos os sistemas físicos possuam essa propriedade. Assim, um filtro, para ser construído fisicamente, precisa ser causal.[nota 7]


Uma propriedade que se segue diretamente da definição acima é que a resposta desse filtro ao impulso é nula para t < 0.


Com respeito à causalidade, a transformação de Hilbert possui as seguintes propriedades:



  • Como a resposta do fitro de Hilbert ao impulso não é nula para t < 0, ele não é um filtro causal.

  • Demonstra-se que, se a transformada de Hilbert da resposta em frequência de um filtro existir, isso é condição necessária e suficiente para que tal filtro seja um filtro causal.[6]



Implementação física de transformadores de Hilbert |




Diagrama lógico de um filtro de Hilbert de resposta finita de sexta ordem. Tanto um filtro analógico quanto um filtro digital podem ser implementados a partir desse diagrama.


Como um filtro de Hilbert não é um sistema causal, ele é fisicamente irrealizável. Podem-se construir, contudo, filtros de Hilbert analógicos ou digitais com resposta aproximada. A resposta de tais filtros, além de apresentar distorções em relação à resposta do filtro ideal, dada pela equação (8a), exibe necessariamente um atraso com relação ao sinal de entrada. Esses dois pontos, atraso e precisão na resposta, constituem então critérios de comparação entre diferentes implementações de um filtro de Hilbert. Outros critérios importantes são a estabilidade com o envelhecimento dos componentes e imunidade a perturbações externas, como variações de temperatura, vibração, etc. Em geral, um filtro digital é mais fácil e mais barato para se implementar do que um filtro analógico com as mesmas características de atraso, precisão, estabilidade e imunidade. A base para a construção de um filtro de Hilbert digital é a Transformada Discreta de Hilbert, tratada mais abaixo.


A resposta em frequência e em fase de um filtro de Hilbert ideal é dada pelas fórmulas seguintes:



A(f)={−i:f<00:f=0i:f>0.(8b){displaystyle A(f);=;left{{begin{matrix}-i&:&f<0\0&:&f=0\i&:&f>0.end{matrix}}right.;;;;;(8b)}{displaystyle A(f);=;left{{begin{matrix}-i&:&f<0\0&:&f=0\i&:&f>0.end{matrix}}right.;;;;;(8b)}


ϕ(f)=Arg⁡(h^(t))=π2⋅sgn⁡(f)(8c){displaystyle phi (f);=;operatorname {Arg} ({hat {h}}(t));=;{frac {pi }{2}}cdot operatorname {sgn} (f);;;;;(8c)}{displaystyle phi (f);=;operatorname {Arg} ({hat {h}}(t));=;{frac {pi }{2}}cdot operatorname {sgn}(f);;;;;(8c)}




onde f é a frequência do sinal de entrada, A é o valor do sinal de saída e φ, seu ângulo de fase. Ou seja, o sinal de entrada é dado pela equação I(t)=e2πft{displaystyle I(t);=;e^{2pi ft}}{displaystyle I(t);=;e^{2pi ft}} e o sinal de saída por O(t)=Ae2πft+ϕ{displaystyle O(t);=;Ae^{2pi ft;+;phi }}{displaystyle O(t);=;Ae^{2pi ft;+;phi }}. Arg(x) é a função argumento principal e h(t) é o núcleo de Hilbert, cuja transformada é h^(t){displaystyle {hat {h}}(t)}{displaystyle {hat {h}}(t)}.[9]



Outras propriedades importantes |



Conjugado harmônico |


Se denotarmos o valor da transformada de Fourier para um dado valor de x=x1 como


G(x)|x=x1=G(x1)=z1=a+ib{displaystyle left.G(x)right|_{x=x1};=;G(x_{1});=;z_{1};=;a;+;ib}{displaystyle left.G(x)right|_{x=x1};=;G(x_{1});=;z_{1};=;a;+;ib}


então, de (8a), temos que


u^(x)|x=x1=u^(x1)={b−ia:x<00:x=0−b+ia:x>0.(9a){displaystyle left.{hat {u}}(x)right|_{x=x1};=;{hat {u}}(x_{1});=;left{{begin{matrix}b-ia&:&x<0\0&:&x=0\-b+ia&:&x>0.end{matrix}}right.;;;;;(9a)}{displaystyle left.{hat {u}}(x)right|_{x=x1};=;{hat {u}}(x_{1});=;left{{begin{matrix}b-ia&:&x<0\0&:&x=0\-b+ia&:&x>0.end{matrix}}right.;;;;;(9a)}


Vemos, de (9a), que transformação de Hilbert efetua a troca entre as partes real e imaginária de uma função complexa. Essa propriedade é útil porque permite seu uso para encontrar as componentes conjugadas de uma dada função f(x)[2] (ver os itens Funções conjugadas e Interpretação no domínio da frequência neste verbete).



Simetria e ortogonalidade |


Em aplicações físicas, em geral f(x) é uma função real, e, como consequência, o mesmo acontece com û(x). Como a transformada de Fourier exibe simetria hermitiana para valores reais, ou seja,


G(−ω)=G∗(ω) ∀ω∈R{displaystyle G(-omega );=;G^{*}(omega );; forall ;omega in mathbb {R} }{displaystyle G(-omega );=;G^{*}(omega );; forall ;omega in mathbb {R} }


isso se verifica também para G^(x)=F{u^(x)}{displaystyle {hat {G}}(x);=;{mathcal {F}}{{hat {u}}(x)}}{displaystyle {hat {G}}(x);=;{mathcal {F}}{{hat {u}}(x)}}. Assim, se û(x) for uma função par, û(-x)=û(x), e a condição G^(−x)=G∗(x){displaystyle {hat {G}}(-x);=;G^{*}(x)}{displaystyle {hat {G}}(-x);=;G^{*}(x)} implica G^(x)=G∗(x){displaystyle {hat {G}}(x);=;G^{*}(x)}{displaystyle {hat {G}}(x);=;G^{*}(x)}, o que só é possível se G^(x){displaystyle {hat {G}}(x)}{displaystyle {hat {G}}(x)} for uma função real. Inversamente, se û(x) for uma função ímpar, û(-x)=-û(x), e a condição G^(−x)=G∗(x){displaystyle {hat {G}}(-x);=;G^{*}(x)}{displaystyle {hat {G}}(-x);=;G^{*}(x)} implica G^(x)=−G∗(x){displaystyle {hat {G}}(x);=;-;G^{*}(x)}{displaystyle {hat {G}}(x);=;-;G^{*}(x)}, o que só é possível se G^(x){displaystyle {hat {G}}(x)}{displaystyle {hat {G}}(x)} for uma função de valores puramente imaginários.


Além disso, a expressão (8a) mostra diretamente que, se G^(x){displaystyle {hat {G}}(x)}{displaystyle {hat {G}}(x)} for uma função real, G(ω) será uma função puramente imaginária e que, se G^(x){displaystyle {hat {G}}(x)}{displaystyle {hat {G}}(x)} for uma função puramente imaginária, G(ω) será uma função real. Mas a simetria hermitiana da transformada de Fourier obriga f(x) a ser uma função par no primeiro caso, e ímpar no segundo. O resultado é que, quando û(x) for uma função par, f(x) será uma função ímpar; quando û(x) for uma função ímpar, f(x) será uma função par.


A partir dessas propriedades de, pode-se provar facilmente que as funções f(x) e û(x) são ortogonais, pois


EM{f(x),u^(x))}=∫−∞∞f(x)⋅u^(x)dx=0(9b){displaystyle E_{M}{f(x),{hat {u}}(x))};=;int _{-infty }^{infty }f(x)cdot {hat {u}}(x);dx;=;0;;;;;(9b)}{displaystyle E_{M}{f(x),{hat {u}}(x))};=;int _{-infty }^{infty }f(x)cdot {hat {u}}(x);dx;=;0;;;;;(9b)}


uma vez que o integrando será sempre uma função ímpar.[1][9] Em Física, a variável x tem dimensão temporal, e a grandeza EM é chamada a energia mútua das funções f(t) e û(t).[9]



Transformada de um produto de funções |


Se a função f(x) for o produto de duas funções f1(x) e f2(x), então G(ω)=G1(ω)*G2(ω) (pelo teorema da convolução). Podemos escrever G2(ω)=G2(ω)·(u1(ω) + u1(-ω)), por exemplo, onde u1(x) é a função degrau unitário ((u1(x) + u1(-x) = 1). Assim, G(ω)=G1(ω)*[G2(ω)·u1(ω) + G2(ω)·u1(-ω)]=G1(ω)*G2(ω)·u1(ω) + G1(ω)*G2(ω)·u1(-ω)]. Evidentemente, o primeiro termo é nulo para ω<0, e o segundo termo é nulo para ω>0. Daí, segue-se que


G^(x)=[G1(ω)∗G2(ω)⋅u1(ω)+G1(ω)∗G2(ω)⋅u1(−ω)]⋅(i⋅sgn⁡(ω)){displaystyle {hat {G}}(x);=;left[G_{1}(omega )*G_{2}(omega )cdot u_{1}(omega );+;G_{1}(omega )*G_{2}(omega )cdot u_{1}(-omega )right]cdot (icdot operatorname {sgn} (omega ))}{displaystyle {hat {G}}(x);=;left[G_{1}(omega )*G_{2}(omega )cdot u_{1}(omega );+;G_{1}(omega )*G_{2}(omega )cdot u_{1}(-omega )right]cdot (icdot operatorname {sgn}(omega ))}


G^(x)=i⋅(1)⋅G1(ω)∗G2(ω)⋅u1(ω)+i⋅(−1)⋅G1(ω)∗G2(ω)⋅u1(−ω){displaystyle {hat {G}}(x);=;icdot (1)cdot G_{1}(omega )*G_{2}(omega )cdot u_{1}(omega );+;icdot (-1)cdot G_{1}(omega )*G_{2}(omega )cdot u_{1}(-omega )}{displaystyle {hat {G}}(x);=;icdot (1)cdot G_{1}(omega )*G_{2}(omega )cdot u_{1}(omega );+;icdot (-1)cdot G_{1}(omega )*G_{2}(omega )cdot u_{1}(-omega )}


Desenvolvendo a expressão, temos


G^(x)=G1(ω)∗[iG2(ω)⋅u1(ω)−iG2(ω)⋅u1(−ω)]=G1(ω)∗[i⋅G2(ω)⋅(u1(ω)−u1(−ω))]{displaystyle {hat {G}}(x);=;G_{1}(omega )*left[iG_{2}(omega )cdot u_{1}(omega );-;iG_{2}(omega )cdot u_{1}(-omega )right];=;G_{1}(omega )*left[icdot G_{2}(omega )cdot left(u_{1}(omega );-;u_{1}(-omega )right)right]}{displaystyle {hat {G}}(x);=;G_{1}(omega )*left[iG_{2}(omega )cdot u_{1}(omega );-;iG_{2}(omega )cdot u_{1}(-omega )right];=;G_{1}(omega )*left[icdot G_{2}(omega )cdot left(u_{1}(omega );-;u_{1}(-omega )right)right]}


G^(x)=G1(ω)∗[i⋅G2(ω)⋅sgn⁡(ω)]=G1(ω)∗G^2(ω){displaystyle {hat {G}}(x);=;G_{1}(omega )*left[icdot G_{2}(omega )cdot operatorname {sgn} (omega )right];=;G_{1}(omega )*{hat {G}}_{2}(omega )}{displaystyle {hat {G}}(x);=;G_{1}(omega )*left[icdot G_{2}(omega )cdot operatorname {sgn}(omega )right];=;G_{1}(omega )*{hat {G}}_{2}(omega )}


Podemos, então, escrever


F{H{f1(x)⋅f2(x)}}=G^(x)=F{f1(x)}∗F{H{f2(x)}}=F{f1(x)}⋅H{f2(x)}}{displaystyle {mathcal {F}}{{mathcal {H}}{f_{1}(x)cdot f_{2}(x)}};=;{hat {G}}(x);=;{mathcal {F}}{f_{1}(x)}*{mathcal {F}}{{mathcal {H}}{f_{2}(x)}};=;{mathcal {F}}{f_{1}(x)}cdot {mathcal {H}}{f_{2}(x)}}}{displaystyle {mathcal {F}}{{mathcal {H}}{f_{1}(x)cdot f_{2}(x)}};=;{hat {G}}(x);=;{mathcal {F}}{f_{1}(x)}*{mathcal {F}}{{mathcal {H}}{f_{2}(x)}};=;{mathcal {F}}{f_{1}(x)}cdot {mathcal {H}}{f_{2}(x)}}}


Assim, as funções H{f1(x)⋅f2(x)}{displaystyle {mathcal {H}}{f_{1}(x)cdot f_{2}(x)}}{displaystyle {mathcal {H}}{f_{1}(x)cdot f_{2}(x)}} e f1(x)⋅H{f2(x)}{displaystyle f_{1}(x)cdot {mathcal {H}}{f_{2}(x)}}{displaystyle f_{1}(x)cdot {mathcal {H}}{f_{2}(x)}} possuem a mesma transformada de Fourier. Devido à propriedade de linearidade desta, podemos dizer que essas funções são idênticas, a menos da adição de uma função f0(x) cuja transformada de Fourier fosse nula. De acordo com o Teorema de Lerch, uma função com essa propriedade teria que ser uma função nula,[10] portanto podemos desprezá-la em aplicações práticas e escrever:


H{f1(x)⋅f2(x)}=f1(x)⋅H{f2(x)}(10a){displaystyle {mathcal {H}}{f_{1}(x)cdot f_{2}(x)};=;f_{1}(x)cdot {mathcal {H}}{f_{2}(x)};;;;;(10a)}{displaystyle {mathcal {H}}{f_{1}(x)cdot f_{2}(x)};=;f_{1}(x)cdot {mathcal {H}}{f_{2}(x)};;;;;(10a)}


A expressão (10a) é conhecida como identidade de Bedrosian.[11] O problema de quais são as condições que as funções f1(x) e f2(x) precisam atender para que a transformada de Hilbert de f(x) exista ainda está em aberto, mas a restrição mais usada (ou seja, a menos estrita) é que existam valores x1 e x2 tais que f1(x)=0 para todo x>x1, que f2(x)=0 para todo x>x2, e que x2>x1.[nota 8][12][13] Uma condição mais estrita, mas mais simples, é que f1 e f sejam funções analíticas.


De acordo com essa expressão, quando precisarmos computar a transformada de Hilbert de um produto de duas funções, só será preciso calcular a transformada da função de alta frequência e multiplicá-la pela outra.


Outra consequência da expressão (10a) é que o produto dessas duas funções pode ser expresso como



f1(x)⋅f2(x)=−i⋅H{f1}⋅f2(x)(10b){displaystyle f_{1}(x)cdot f_{2}(x);=;-;icdot {mathcal {H}}{f_{1}}cdot f_{2}(x);;;;;(10b)}{displaystyle f_{1}(x)cdot f_{2}(x);=;-;icdot {mathcal {H}}{f_{1}}cdot f_{2}(x);;;;;(10b)}





Autocorrelação |


De (8a) segue-se também que f(x) e û(x) têm a mesma função de autocorrelação, que é definida como a convolução de uma função com seu conjugado complexo:





Rff(τ)=(f(x)∗f∗(−x))(τ)=∫−∞∞f(x+τ)⋅f∗(x)dx{displaystyle R_{ff}(tau )=left(f(x)*f^{*}(-x){frac {}{}}right)(tau )=int _{-infty }^{infty }f(x;+;tau )cdot f^{*}(x);dx}{displaystyle R_{ff}(tau )=left(f(x)*f^{*}(-x){frac {}{}}right)(tau )=int _{-infty }^{infty }f(x;+;tau )cdot f^{*}(x);dx}[1]


Representações alternativas para a função f(x) |



Filtros passa-baixas e passa-altas |


Uma função qualquer f(x) pode ser expressa em função de duas componentes fL(x) e fH(x) com o auxílio da função seno cardinal:



f(x)=fL(x)+fH(x)(11a){displaystyle f(x);=;f_{L}(x);+;f_{H}(x);;;;;(11a)}{displaystyle f(x);=;f_{L}(x);+;f_{H}(x);;;;;(11a)}




com



fL(x)=f(x)∗2fcsinc⁡(2fcx)=f(x)∗2fcsin⁡(π⋅2fcx)π⋅2fcx=f(x)∗sin⁡(2πfcx)πx(11b){displaystyle f_{L}(x);=;f(x);*;2f_{c};operatorname {sinc} (2f_{c}x);=;f(x);*;2f_{c};{frac {sin(pi cdot 2f_{c}x)}{pi cdot 2f_{c}x}};=;f(x);*;{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}};;;;;(11b)}{displaystyle f_{L}(x);=;f(x);*;2f_{c};operatorname {sinc} (2f_{c}x);=;f(x);*;2f_{c};{frac {sin(pi cdot 2f_{c}x)}{pi cdot 2f_{c}x}};=;f(x);*;{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}};;;;;(11b)}




e, evidentemente,



fH(x)=f(x)−fL(x)=f(x)−[f(x)∗sin⁡(2πfcx)πx]=f(x)∗[δ(x)−sin⁡(2πfcx)πx](11c){displaystyle f_{H}(x);=;f(x);-;f_{L}(x);=;f(x);-;left[f(x);*;{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}}right];=;f(x);*;left[delta (x);-;{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}}right];;;;;(11c)}{displaystyle f_{H}(x);=;f(x);-;f_{L}(x);=;f(x);-;left[f(x);*;{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}}right];=;f(x);*;left[delta (x);-;{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}}right];;;;;(11c)}




onde δ(x) é a função impulso unitário. A idéia é que fL(x) contenha todas as componentes de frequências baixas (ω<2πfc) do sinal, e fH(x) contenha as componentes de frequências altas (ω>2πfc). Para verificar que isso realmente acontece, basta calcular as transformadas de Fourier



GL(ω)=F{fL(x)}=F{f(x)∗sin⁡(2πfcx)πx}=F{f(x)}⋅F{sin⁡(2πfcx)πx}=G(ω)⋅rect⁡(2fc){displaystyle {G_{L}(omega )={mathcal {F}}{f_{L}(x)}={mathcal {F}}left{f(x)*{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}}right}={mathcal {F}}{f(x)}cdot {mathcal {F}}left{{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}}right}=G(omega )cdot operatorname {rect} (2f_{c})}}{displaystyle {G_{L}(omega )={mathcal {F}}{f_{L}(x)}={mathcal {F}}left{f(x)*{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}}right}={mathcal {F}}{f(x)}cdot {mathcal {F}}left{{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}}right}=G(omega )cdot operatorname {rect} (2f_{c})}}




onde rect(x) é a função retangular:



rect⁡(2fc)=⊓(2fc)={0if |x|>fc12if |x|=fc1if |x|<fc{displaystyle operatorname {rect} (2f_{c})=sqcap (2f_{c})={begin{cases}0&{text{if }}|x|>f_{c}\[3pt]{frac {1}{2}}&{text{if }}|x|=f_{c}\[3pt]1&{text{if }}|x|<f_{c}end{cases}}}{displaystyle operatorname {rect} (2f_{c})=sqcap (2f_{c})={begin{cases}0&{text{if }}|x|>f_{c}\[3pt]{frac {1}{2}}&{text{if }}|x|=f_{c}\[3pt]1&{text{if }}|x|<f_{c}end{cases}}}




De maneira similar,



GH(ω)=F{fH(x)}=F{f(x)∗[δ(x)−sin⁡(2πfcx)πx]}=G(ω)⋅[1−rect⁡(2fc)]{displaystyle G_{H}(omega )={mathcal {F}}{f_{H}(x)}={mathcal {F}}left{f(x)*left[delta (x)-{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}}right]right}=G(omega )cdot left[1-operatorname {rect} (2f_{c})right]}{displaystyle G_{H}(omega )={mathcal {F}}{f_{H}(x)}={mathcal {F}}left{f(x)*left[delta (x)-{frac {sin(2pi f_{c}x)}{pi x}}right]right}=G(omega )cdot left[1-operatorname {rect} (2f_{c})right]}




A função sinc(x), portanto, funciona como um filtro passa-baixas ideal.



Funções conjugadas |


Uma função qualquer f(x) pode ser expressa de forma alternativa em função de duas componentes conjugadas f1(x) e f2(x):



f(x)=f1(x)+f2(x)(12a){displaystyle f(x);=;f_{1}(x);+;f_{2}(x);;;;;(12a)}{displaystyle f(x);=;f_{1}(x);+;f_{2}(x);;;;;(12a)}




com



f1(x)=12(f(x)+ig(x))(12b){displaystyle f_{1}(x);=;{frac {1}{2}}left(f(x);+;ig(x)right);;;;;(12b)}{displaystyle f_{1}(x);=;{frac {1}{2}}left(f(x);+;ig(x)right);;;;;(12b)}



f2(x)=12(f(x)−ig(x))(12c){displaystyle f_{2}(x);=;{frac {1}{2}}left(f(x);-;ig(x)right);;;;;(12c)}{displaystyle f_{2}(x);=;{frac {1}{2}}left(f(x);-;ig(x)right);;;;;(12c)}




É fácil ver que a expressão (12a) é válida para qualquer g(x). No entanto, se fizermos g(x) = û(x), o espectro de frequências de f1(x) e f2(x) terá características muito interessantes, pois



F{f1(x)}=G1(ω)=F{12(f(x)+iu^(x))}=12(G(ω)+iG^(x)){displaystyle {mathcal {F}}{f_{1}(x)};=;G_{1}(omega );=;{mathcal {F}}{{frac {1}{2}}left(f(x);+;i{hat {u}}(x)right)};=;{frac {1}{2}}left(G(omega );+;i{hat {G}}(x)right)}{displaystyle {mathcal {F}}{f_{1}(x)};=;G_{1}(omega );=;{mathcal {F}}{{frac {1}{2}}left(f(x);+;i{hat {u}}(x)right)};=;{frac {1}{2}}left(G(omega );+;i{hat {G}}(x)right)}



G1(ω)=12(G(ω)+i(i⋅sgn⁡(ω)⋅G(ω)))=G(ω)u(ω)(12d){displaystyle G_{1}(omega );=;{frac {1}{2}}left(G(omega );+;i(icdot operatorname {sgn} (omega )cdot G(omega ))right);=;G(omega )u(omega );;;;;(12d)}{displaystyle G_{1}(omega );=;{frac {1}{2}}left(G(omega );+;i(icdot operatorname {sgn}(omega )cdot G(omega ))right);=;G(omega )u(omega );;;;;(12d)}




Similarmente, teremos



F{f2(x)}=G2(ω)=12(G(ω)−i(i⋅sgn⁡(ω)⋅G(ω))=G(ω)u(−ω)(12e){displaystyle {mathcal {F}}{f_{2}(x)};=;G_{2}(omega );=;{frac {1}{2}}left(G(omega );-;i(icdot operatorname {sgn} (omega )cdot G(omega )right);=;G(omega )u(-omega );;;;;(12e)}{displaystyle {mathcal {F}}{f_{2}(x)};=;G_{2}(omega );=;{frac {1}{2}}left(G(omega );-;i(icdot operatorname {sgn}(omega )cdot G(omega )right);=;G(omega )u(-omega );;;;;(12e)}




O exame das expressões (12d) e (12e) revela que, nessa decomposição, uma das funções é composta por todas as componentes com frequências positivas de f(x), e a outra, por todas as componentes com frequências negativas. Por isso, essas funções são frequentemente notadas como f+(x) e f-(x).





Cálculo por métodos numéricos |


O cálculo da transformada de Hilbert através da integração direta, a partir de alguma das suas fórmulas de definição, funciona bem para funções que não apresentem descontinuidades e que decresçam rapidamente com o aumento do valor de x. Para outros casos, devem-se empregar artifícios; um deles é usar polinômios de Hermite para calcular as integrais. Em todos os casos, como a distribuição de energia das funções f(x) e û(x) é a mesma (como mostrado aqui), o valor da energia de f(x) e de û(x), em cada frequência, pode ser calculado e comparado, de forma a obter-se uma estimativa da qualidade da aproximação resultante do método de cálculo escolhido.[5]


Da expressão (8a), segue que a transformada de Hilbert de um sinal f(t) pode ser computada através da transformada de Fourier deste, da seguinte maneira[5]:



  1. Em primeiro lugar, expressa-se f(t) na forma de uma série de Fourier.

  2. Depois, trocam-se os coeficientes dos componentes em senos pelos coeficientes em cossenos e vice-versa (isso equivale a aplicar os desvios de fase de π2{displaystyle {frac {pi }{2}}}{displaystyle {frac {pi }{2}}} e −π2{displaystyle -{frac {pi }{2}}}{displaystyle -{frac {pi }{2}}} onde necessário); a componente DC deve ser desprezada.


Outro método que pode ser usado é o seguinte:



  1. Em primeiro lugar, calcula-se a transformada de Fourier de f(t) (por exemplo, por meio da Transformada Rápida de Fourier.

  2. Depois, multiplicam-se os coeficientes dos componentes de frequências negativas por -1, deixando-se os demais inalterados; a componente DC deve ser desprezada.

  3. Calcula-se a transformada inversa de Fourier do resultado.


Isso é possível devido à propriedade de invariância com relação ao operador da transformação de Fourier.


Pode-se também usar um método similar para calcular û(t) a partir da Transformada de Hartley, conforme se vê em Bracewell (2000).[1]



Aplicações |



Modulação |


A forma geral de uma onda modulada em amplitude (AM) é



s(t)=Ac[1+Kam(t)]⋅cos⁡(2πfct+θ)(13a){displaystyle s(t);=;A_{c}left[1;+;K_{a}m(t)right]cdot cos(2pi f_{c}t;+;theta );;;;;(13a)}{displaystyle s(t);=;A_{c}left[1;+;K_{a}m(t)right]cdot cos(2pi f_{c}t;+;theta );;;;;(13a)}




Um inconveniente da modulação em amplitude é que o espectro de s(t) é simétrico em relação à frequência da portadora. Isso implica que o sinal contém informação redundante, que ocupa banda passante e gasta energia dos transmissores desnecessariamente. Por isso, em lugar da forma padrão, também chamada de DSB-FC (bandas laterais duplas com portadora, ing. double side banded - full carrier), é vantajoso adotar a forma SSB (banda lateral simples, ing. single side banded).


Teoricamente, poder-se-ia eliminar a banda lateral por meio de um filtro convencional. No entanto, tal filtro teria que ter um fator de qualidade muito grande, com largura de banda estreita e atenuação elevada, o que torna difícil construí-lo a partir de um circuito eletrônico convencional. Uma alternativa é usar um filtro de Hilbert.


De acordo com as expressões (10) e (11), podemos escrever, considerando f(t) = Ac [1 + Kam(t)] (o sinal modulador), e assumindo que, em aplicações práticas, as frequências nele presentes são sempre muito menores que fc:



H{s(t)}=s^(t)=f(t)⋅H{cos⁡(2πfct+θ)}=f(t)⋅(−sin⁡(2πfct+θ))(13b){displaystyle {mathcal {H}}{s(t)};=;{hat {s}}(t);=;f(t)cdot {mathcal {H}}{cos(2pi f_{c}t;+;theta )};=;f(t)cdot left(-;sin(2pi f_{c}t;+;theta )right);;;;;(13b)}{displaystyle {mathcal {H}}{s(t)};=;{hat {s}}(t);=;f(t)cdot {mathcal {H}}{cos(2pi f_{c}t;+;theta )};=;f(t)cdot left(-;sin(2pi f_{c}t;+;theta )right);;;;;(13b)}




Em primeiro lugar, expressa-se o sinal s(t) em função de duas componentes de frequências altas e baixas sU(t) e sL(t), ambas derivadas de f(t) e sua transformada, û(t):



s(t)=f(t)⋅cos⁡(2πfct+θ)=sU(t)+sL(t)(13c){displaystyle s(t);=;f(t)cdot cos(2pi f_{c}t;+;theta );=;s_{U}(t);+;s_{L}(t);;;;;(13c)}{displaystyle s(t);=;f(t)cdot cos(2pi f_{c}t;+;theta );=;s_{U}(t);+;s_{L}(t);;;;;(13c)}




sendo



sU(t)=12(f(t)⋅cos⁡(2πfct+θ)−u^(t)⋅sin⁡(2πfct+θ))(13d){displaystyle s_{U}(t);=;{frac {1}{2}}left(f(t)cdot cos(2pi f_{c}t;+;theta );-;{hat {u}}(t)cdot sin(2pi f_{c}t;+;theta )right);;;;;(13d)}{displaystyle s_{U}(t);=;{frac {1}{2}}left(f(t)cdot cos(2pi f_{c}t;+;theta );-;{hat {u}}(t)cdot sin(2pi f_{c}t;+;theta )right);;;;;(13d)}



sL(t)=12(f(t)⋅cos⁡(2πfct+θ)+u^(t)⋅sin⁡(2πfct+θ))(13e){displaystyle s_{L}(t);=;{frac {1}{2}}left(f(t)cdot cos(2pi f_{c}t;+;theta );+;{hat {u}}(t)cdot sin(2pi f_{c}t;+;theta )right);;;;;(13e)}{displaystyle s_{L}(t);=;{frac {1}{2}}left(f(t)cdot cos(2pi f_{c}t;+;theta );+;{hat {u}}(t)cdot sin(2pi f_{c}t;+;theta )right);;;;;(13e)}




Desenvolvendo sU(t), teremos



sU(t)=12[f(t)⋅12(ei(2πfct+θ)+e−i(2πfct+θ))−u^(t)⋅−i2(ei(2πfct−θ)−e−i(2πfct+θ))]{displaystyle s_{U}(t);=;{frac {1}{2}}left[f(t)cdot {frac {1}{2}}left(e^{i(2pi f_{c}t;+;theta )};+;e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right);-;{hat {u}}(t)cdot {frac {-i}{2}}left(e^{i(2pi f_{c}t;-;theta )};-;e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right)right]}{displaystyle s_{U}(t);=;{frac {1}{2}}left[f(t)cdot {frac {1}{2}}left(e^{i(2pi f_{c}t;+;theta )};+;e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right);-;{hat {u}}(t)cdot {frac {-i}{2}}left(e^{i(2pi f_{c}t;-;theta )};-;e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right)right]}



sU(t)=12[12(f(t)+iu^(t))⋅ei(2πfct+θ)+12(f(t)−iu^(t))⋅e−i(2πfct+θ)]{displaystyle s_{U}(t);=;{frac {1}{2}}left[{frac {1}{2}}left(f(t);+;i{hat {u}}(t)right)cdot e^{i(2pi f_{c}t;+;theta )};+;{frac {1}{2}}left(f(t);-;i{hat {u}}(t)right)cdot e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right]}{displaystyle s_{U}(t);=;{frac {1}{2}}left[{frac {1}{2}}left(f(t);+;i{hat {u}}(t)right)cdot e^{i(2pi f_{c}t;+;theta )};+;{frac {1}{2}}left(f(t);-;i{hat {u}}(t)right)cdot e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right]}




De forma similar,



sL(t)=12[12(f(t)+iu^(t))⋅ei(2πfct+θ)−12(f(t)−iu^(t))⋅e−i(2πfct+θ)]{displaystyle s_{L}(t);=;{frac {1}{2}}left[{frac {1}{2}}left(f(t);+;i{hat {u}}(t)right)cdot e^{i(2pi f_{c}t;+;theta )};-;{frac {1}{2}}left(f(t);-;i{hat {u}}(t)right)cdot e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right]}{displaystyle s_{L}(t);=;{frac {1}{2}}left[{frac {1}{2}}left(f(t);+;i{hat {u}}(t)right)cdot e^{i(2pi f_{c}t;+;theta )};-;{frac {1}{2}}left(f(t);-;i{hat {u}}(t)right)cdot e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right]}




Por inspeção das expressões (12a) a (12c), podemos escrever



sU(t)=12[s+(t)⋅ei(2πfct+θ)+s−(t)⋅e−i(2πfct+θ)](13f){displaystyle s_{U}(t);=;{frac {1}{2}}left[s_{+}(t)cdot e^{i(2pi f_{c}t;+;theta )};+;s_{-}(t)cdot e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right];;;;;(13f)}{displaystyle s_{U}(t);=;{frac {1}{2}}left[s_{+}(t)cdot e^{i(2pi f_{c}t;+;theta )};+;s_{-}(t)cdot e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right];;;;;(13f)}



sL(t)=12[s+(t)⋅ei(2πfct−θ)+s−(t)⋅e−i(2πfct+θ)](13g){displaystyle s_{L}(t);=;{frac {1}{2}}left[s_{+}(t)cdot e^{i(2pi f_{c}t;-;theta )};+;s_{-}(t)cdot e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right];;;;;(13g)}{displaystyle s_{L}(t);=;{frac {1}{2}}left[s_{+}(t)cdot e^{i(2pi f_{c}t;-;theta )};+;s_{-}(t)cdot e^{-i(2pi f_{c}t;+;theta )}right];;;;;(13g)}




De acordo com as propriedades da transformada de Fourier, a multiplicação pelo fator eiῳt equivale a um deslocamento na frequência igual a ῳ. Nesse contexto, a comparação com as expressões (12d) e (12e) mostram que o espectro de sU(t) possui apenas frequências com valores de (f - fc) positivos, ou seja, f > fc. O inverso vale para sL.



Demodulação |




Sinal (em azul) e seu envelope (em vermelho).


A transformada de Hilbert pode ser usada para analisar um sinal s(t) que consiste de um produto de duas funções f(t) e g(t). Em aplicações práticas, uma delas é frequentemente uma oscilação de alta frequência e a outra é um sinal que contém informação útil e que se deseja destacar para análise. Nesse contexto, a primeira função é chamada de portadora e a outra, de função moduladora ou sinal modulante. Aqui suporemos que g(t) é a portadora e f(t), o sinal modulante.


Pode-se obter f(t) a partir de s(t) através da transformada de Hilbert, por meio da expressão:



f(t)=s(t)+is^(t)(14a){displaystyle f(t);=;s(t);+;i{hat {s}}(t);;;;;(14a)}{displaystyle f(t);=;s(t);+;i{hat {s}}(t);;;;;(14a)}




Essa operação é chamada de demodulação. Evidentemente, constitui o inverso da modulação, que consite em obter s(t) a partir de f(t).


Em engenharia, também se usa o termo sinal analítico forte para designar uma função analítica (ou regular ou holomorfa). Tal sinal pode ser escrito na forma geral s(t) = A(t)·eφ(t), que representa um vetor de amplitude instantânea A e direção instantânea dada pelo ângulo de fase φ, ambos variando com o tempo. Essa representação é útil em diversas aplicações práticas.[nota 9] |A(t)|, que é chamado de envelope ou envoltória da modulação, é sempre positivo, o que permite a plotagem de A(t) em escala logarítmica. Evidentemente, |A(t)| = |f(t)|·|g(t)|. Muitas vezes, é desnecessário obter f(t), sendo suficiente conhecer qual é o envelope porque, como |g(t)| em geral é conhecido, fica fácil a partir dele calcular |f(t)|.


O espectro de frequências de um sinal analítico forte só contém frequências positivas. A frequência instantânea pode ser calculada como



ω=2π⋅ddtϕ(t)(14b){displaystyle omega ;=;2pi cdot {frac {d}{dt}};phi (t);;;;;(14b)}{displaystyle omega ;=;2pi cdot {frac {d}{dt}};phi (t);;;;;(14b)}




Em casos onde uma análise mais profunda de A(t) se faz necessária, aplica-se a transformada de Fourier. Por exemplo, quando A(t) é uma função exponencial com mais de uma constante de amortecimento. Para um exemplo, ver Thrane e outros.[14]





Fasor no domínio da frequência |


Podemos escrever o espectro de frequências de um sinal na forma polar G(ω) = A(ω)·eφ(ω), de maneira similar ao que se fez no item anterior com a representação no domínio do tempo. Se a correspondente função de transferência no domínio da frequência complexa for dada por



F(s)=K(s−a1)(s−a2)…(s−an)(s−b1)(s−b2)…(s−bm){displaystyle F(s);=;K;{frac {(s;-;a_{1})(s;-;a_{2})ldots (s;-;a_{n})}{(s;-;b_{1})(s;-;b_{2})ldots (s;-;b_{m})}}}{displaystyle F(s);=;K;{frac {(s;-;a_{1})(s;-;a_{2})ldots (s;-;a_{n})}{(s;-;b_{1})(s;-;b_{2})ldots (s;-;b_{m})}}}




onde K é uma constante, a1, a2 ... an são os zeros e b1, b2 ... bm são os polos de F(s), pode-se escrevê-la também na forma



F(s)=Fa(s)⋅Fϕ(s){displaystyle F(s);=;F_{a}(s)cdot F_{phi }(s)}{displaystyle F(s);=;F_{a}(s)cdot F_{phi }(s)}




onde Fa consiste da constante K e dos zeros e polos cuja parte real é negativa, e Fφ consiste dos demais. Nesse caso, cada polo de Fφ deve ser o conjugado de um dos zeros, ou seja,



Fϕ(s)=(s−c1)(s−c2)…(s−cl)(s+c1∗)(s+c2∗)…(s+cl∗){displaystyle F_{phi }(s);=;{frac {(s;-;c_{1})(s;-;c_{2})ldots (s;-;c_{l})}{(s;+;c_{1}*)(s;+;c_{2}*)ldots (s;+;c_{l}*)}}}{displaystyle F_{phi }(s);=;{frac {(s;-;c_{1})(s;-;c_{2})ldots (s;-;c_{l})}{(s;+;c_{1}*)(s;+;c_{2}*)ldots (s;+;c_{l}*)}}}




A amplitude de Fφ = 1, e esses polos e zeros influenciam apenas a fase de F(s). Fa é frequentemente chamada de componente de mínima fase de F(s). Pode-se demonstrar que, se escrevermos Fa(ω) na forma polar Fa(ω) = Aa(ω)·eφa(ω), então



H{ϕa(ω)}=ln⁡[Aa(ω)](15){displaystyle {mathcal {H}}{phi _{a}(omega )};=;ln left[A_{a}(omega )right];;;;;(15)}{displaystyle {mathcal {H}}{phi _{a}(omega )};=;ln left[A_{a}(omega )right];;;;;(15)}





Transformada Discreta de Hilbert |


A Transformada Discreta de Hilbert (DHT, do inglês Discrete Hilbert Transform) aplica-se a funções definidas num espaço discreto como, por exemplo, o conjunto dos números inteiros. Pode-se definir essa transformação como a convolução de uma função qualquer f(t) com o núcleo de Hilbert h(t), com a única diferença de que neste caso trata-se da versão discreta do núcleo de Hilbert. A convolução, em casos práticos, será uma convolução circular, porque apenas um intervalo finito de tempo [t0,t1] reveste-se de interesse; a DHT, como resultado dessa convolução, será sempre uma função periódica, e o período τ será o tamanho desse intervalo: t1 - t0.



Relação com a Transformada Discreta de Fourier |


Podemos estender a Transformada Discreta de Hilbert partindo-se da Transformada Discreta de Fourier, que é justamente a extensão da Transformada de Fourier para espaços discretos.


Uma transformada integral num espaço discreto consiste numa sequência finita de coeficientes p0, p1, p2, ... pn-1 para os quais existe uma fórmula de cálculo bem definida. Essa sequência será chamada aqui DHT. Também deve existir uma sequência análoga para a transformada inversa. Chamaremos a essa sequência DHT-1. n é o tamanho da amostra.


A transformação é aplicada a uma sequência de valores q0, q1, q2, ... qn-1, que chamaremos aqui de Q. Q, DHT e DFT (do inglês Discrete Hilbert Transform) precisam ter o mesmo tamanho da amostra. Além disso, como autores diferentes adotam convenções diferentes para a transformada discreta de Fourier, é preciso escolher qual delas emprega. Aqui será usada a seguinte versão:



DFT{f(k)}=G(k)=∑k=0n−1f(k)⋅e−iω/ω=2πf=2πknfk=ψ⋅fk{displaystyle DFT{f(k)};=;G(k);=;sum _{k;=;0}^{n;-;1}f(k)cdot e^{-iomega };;;;;/omega ;=;2pi f;=;2pi {frac {k}{n}}f_{k};=;psi cdot f_{k}}{displaystyle DFT{f(k)};=;G(k);=;sum _{k;=;0}^{n;-;1}f(k)cdot e^{-iomega };;;;;/omega ;=;2pi f;=;2pi {frac {k}{n}}f_{k};=;psi cdot f_{k}}




onde fk é uma frequência discreta, um inteiro no intervalo [0,n-1]. O espectro de G(k) resulta periódico, ou seja, G(k) = G(k+in), onde i é um inteiro positivo qualquer. A frequência de G(k) é frequência normalizada ψ, que se situa no intervalo [0,2π]; as componentes situadas no intervalo [0,π] são consideradas como tendo frequência positiva, e aquelas situadas no intervalo [π,2π] são consideradas componentes de frequência negativa.


A fórmula correspondente para a transformada inversa é a seguinte:



DFT−1{G(k)}=f(k)=1n∑k=0n−1G(k)⋅eiω{displaystyle DFT^{-1}{G(k)};=;f(k);=;{frac {1}{n}};sum _{k;=;0}^{n;-;1}G(k)cdot e^{iomega }}{displaystyle DFT^{-1}{G(k)};=;f(k);=;{frac {1}{n}};sum _{k;=;0}^{n;-;1}G(k)cdot e^{iomega }}.[9]



Cálculo dos coeficientes |


Pode-se calcular os coeficientes da DHT de uma das maneiras seguintes: a primeira através da transformada discreta de Fourier,



DHT(k)=DFT−1{H(k)⋅DFT{Q(k)}}(16a){displaystyle DHT(k);=;DFT^{-1}{H(k)cdot DFT{Q(k)}};;;;;(16a)}{displaystyle DHT(k);=;DFT^{-1}{H(k)cdot DFT{Q(k)}};;;;;(16a)}




e a segunda por meio da fórmula direta



DHT(k)=∑j=0n−1H−1(k−j)⋅Q(j)(16b){displaystyle DHT(k);=;sum _{j;=;0}^{n;-;1}H^{-1}(k;-;j)cdot Q(j);;;;;(16b)}{displaystyle DHT(k);=;sum _{j;=;0}^{n;-;1}H^{-1}(k;-;j)cdot Q(j);;;;;(16b)}




onde H é outra sequência, que corresponde ao núcleo de Hilbert em forma discreta, e H-1, sua inversa. Para n par, H(k) é dada por



H(k)={0:ψ=0(k=0)i:0<ψ<π(0<k<n2)0:ψ=π(k=n2)−i:π<ψ<2π(n2<k<n).{displaystyle H(k);=;left{{begin{matrix}0&:&psi ;=;0;;;(k;=;0)\i&:&0;<;psi ;<;pi ;;;(0;<;k;<;{frac {n}{2}})\0&:&psi =pi ;;;(k;=;{frac {n}{2}})\-i&:&pi <psi ;<;2pi ;;;({frac {n}{2}};<;k;<;n).end{matrix}}right.}{displaystyle H(k);=;left{{begin{matrix}0&:&psi ;=;0;;;(k;=;0)\i&:&0;<;psi ;<;pi ;;;(0;<;k;<;{frac {n}{2}})\0&:&psi =pi ;;;(k;=;{frac {n}{2}})\-i&:&pi <psi ;<;2pi ;;;({frac {n}{2}};<;k;<;n).end{matrix}}right.}




e para n ímpar, por



H(k)={0:ψ=0(k=0)i:0<ψ≤π(0<k≤n−12)−i:π<ψ<2π(n−12<k<n).){displaystyle H(k);=;left{{begin{matrix}0&:&psi ;=;0;;;(k;=;0)\i&:&0;<;psi ;leq ;pi ;;;(0;<;k;leq ;{frac {n;-;1}{2}})\-i&:&pi <psi ;<;2pi ;;;({frac {n;-;1}{2}};<;k;<;n).end{matrix}}right.)}{displaystyle H(k);=;left{{begin{matrix}0&:&psi ;=;0;;;(k;=;0)\i&:&0;<;psi ;leq ;pi ;;;(0;<;k;leq ;{frac {n;-;1}{2}})\-i&:&pi <psi ;<;2pi ;;;({frac {n;-;1}{2}};<;k;<;n).end{matrix}}right.)}




Em qualquer caso, vale a fórmula concisa seguinte:



H(k)=i⋅sgn⁡(n2−k)⋅sgn⁡(k)(16c){displaystyle H(k);=;icdot operatorname {sgn} left({frac {n}{2}};-;kright)cdot operatorname {sgn} (k);;;;;(16c)}{displaystyle H(k);=;icdot operatorname {sgn} left({frac {n}{2}};-;kright)cdot operatorname {sgn}(k);;;;;(16c)}




Quanto a H-1, valem as fórmulas seguintes:



H−1(k)={−2n⋅sin2⁡(π2k)⋅cot(πnk):npar∧k>0−1n⋅[cot(πnk)−cos⁡(πk)sin⁡(πkn)]:nimpar∧k>00:k=0.(16d){displaystyle H^{-1}(k);=;left{{begin{matrix}-;{frac {2}{n}}cdot sin ^{2}left({frac {pi }{2}};kright)cdot cotleft({frac {pi }{n}};kright)&:&n;{text{par}};land ;k;>;0\-;{frac {1}{n}}cdot left[cotleft({frac {pi }{n}};kright);-;{frac {cos(pi k)}{sin left({frac {pi k}{n}}right)}}right]&:&n;{text{impar}};land ;k;>;0\0&:&k;=;0.end{matrix}}right.;;;;(16d)}{displaystyle H^{-1}(k);=;left{{begin{matrix}-;{frac {2}{n}}cdot sin ^{2}left({frac {pi }{2}};kright)cdot cotleft({frac {pi }{n}};kright)&:&n;{text{par}};land ;k;>;0\-;{frac {1}{n}}cdot left[cotleft({frac {pi }{n}};kright);-;{frac {cos(pi k)}{sin left({frac {pi k}{n}}right)}}right]&:&n;{text{impar}};land ;k;>;0\0&:&k;=;0.end{matrix}}right.;;;;(16d)}




Para a transformação inversa, usamos



DHT−1(k)=DFT{H−1(k)⋅DFT−1{DHT(k)}}(17a){displaystyle DHT^{-1}(k);=;DFT{H^{-1}(k)cdot DFT^{-1}{DHT(k)}};;;;;(17a)}{displaystyle DHT^{-1}(k);=;DFT{H^{-1}(k)cdot DFT^{-1}{DHT(k)}};;;;;(17a)}




ou



DHT−1(k)=∑j=0n−1H(k−j)⋅DHT(j)(17b){displaystyle DHT^{-1}(k);=;sum _{j;=;0}^{n;-;1}H(k;-;j)cdot DHT(j);;;;;(17b)}{displaystyle DHT^{-1}(k);=;sum _{j;=;0}^{n;-;1}H(k;-;j)cdot DHT(j);;;;;(17b)}




As expressões (16a) e (16b) são versões discretas das expressões (5) e (6b). As expressões (16b) e (17b) são convoluções discretas, isto é, convoluções num domínio discreto; nessas expressões, H(k-j) e H-1(k-j) são matrizes n x n, pois os elementos dependem de k e de j. As expressões (16a) e (17a) são mais usadas na prática, pois DFT e DFT-1 podem ser calculadas de forma muito eficiente através do algoritmo da Transformada Rápida de Fourier (FFT).[5][3][9]


A tabela abaixo confronta os conceitos envolvidos nas transformações de Hilbert nos domínios contínuo e discreto, para ilustrar as definições acima.














































Tabela 2 - Transformada de Hilbert nos domínios contínuo e discreto
Conceito
Contínuo
Discreto
Domínio R{displaystyle mathbb {R} }mathbb{R}
N{displaystyle mathbb {N} }mathbb{N}
Variável x{displaystyle x}x
k{displaystyle k}k
Função original f(x){displaystyle f(x)}f(x)
Q(k){displaystyle Q(k)}{displaystyle Q(k)}
Função transformada u^(x){displaystyle {hat {u}}(x)}{displaystyle {hat {u}}(x)}
DHT(k){displaystyle DHT(k)}{displaystyle DHT(k)}
Espectro de frequências G(ω){displaystyle G(omega )}{displaystyle G(omega )}
DFT(k){displaystyle DFT(k)}{displaystyle DFT(k)}
Faixa −∞≤x≤∞{displaystyle -infty ;leq ;x;leq ;infty }{displaystyle -infty ;leq ;x;leq ;infty }
0≤k≤n−1{displaystyle 0;leq ;k;leq ;n;-;1}{displaystyle 0;leq ;k;leq ;n;-;1}
Núcleo da transformação h(x)=−1πx{displaystyle h(x);=;-;{frac {1}{pi x}}}{displaystyle h(x);=;-;{frac {1}{pi x}}}
H(k){displaystyle H(k)}{displaystyle H(k)}

A amostragem deve ser feita em intervalos de tempo iguais; chamaremos aqui de ta a esse intervalo de amostragem. A teoria exige que a frequência da amostragem seja feita com uma frequência de pelo menos o dobro da maior frequência presente no sinal de entrada. Em outras palavras, se denotarmos tal frequência por fmax, é preciso que[5]



ta≤12fmax(18a){displaystyle t_{a};leq ;{frac {1}{2f_{max}}};;;;;(18a)}{displaystyle t_{a};leq ;{frac {1}{2f_{max}}};;;;;(18a)}





O núcleo discreto de Hilbert |


Para um número de amostras muito grande, pode-se usar a expressão simplificada



H−1(k)={−2πn:k>00:k=0.(16e){displaystyle H^{-1}(k);=;left{{begin{matrix}-;{frac {2}{pi n}}&:&k;>;0\0&:&k;=;0.end{matrix}}right.;;;;(16e)}{displaystyle H^{-1}(k);=;left{{begin{matrix}-;{frac {2}{pi n}}&:&k;>;0\0&:&k;=;0.end{matrix}}right.;;;;(16e)}




que se obtém tomando o limite n → ∞ na expressão (16d). Essa aproximação não funciona bem para valores pequenos de n, porque a convergência do cálculo através da expressão (16b) não é uniforme.[3]


Uma outra fórmula que aparece na literatura é a seguinte:


H−1(k)={−2πnsin2⁡(πn):k>00:k=0.(16f){displaystyle H^{-1}(k);=;left{{begin{matrix}-;{frac {2}{pi n}}sin ^{2}(pi n)&:&k;>;0\0&:&k;=;0.end{matrix}}right.;;;;(16f)}{displaystyle H^{-1}(k);=;left{{begin{matrix}-;{frac {2}{pi n}}sin ^{2}(pi n)&:&k;>;0\0&:&k;=;0.end{matrix}}right.;;;;(16f)}[4]




que é um compromisso entre a expressão exata (16d) e a aproximação mais simples (16e).


No anexo, encontram-se exemplos de derivação de algumas DHTs.


A derivação da transformada de Hilbert por meio da FFT tem o inconveniente de produzir serrilhamento (aliasing). Isso ocorre porque a expressão (16c) é descontínua em k=0, o que implica na existência de frequências infinitas no espectro. O serrilhamento resultante é explicado teoricamente pelo Fenômeno de Gibbs. Uma outra forma de entender esse efeito é lembrar que a FFT é calculada em um intervalo finito τ, por isso exige-se que a função de entrada passe primeiro por um filtro passa-baixas de forma a eliminar as componentes de alta frequência, ou seja, as componentes com período inferior a 2τ; a aplicação de um sinal não devidamente filtrado à FFT inevitavelmente produzirá efeitos espúrios.


Uma maneira é calcular a transformada por meio de um algoritmo de filtro digital. A resposta em frequência ideal do filtro é então definida a partir da equação



H(iω)={i:0<ω<π−i:−π<ω<0.(16g){displaystyle H(iomega );=;left{{begin{matrix}i&:&0<omega <pi \-i&:&-pi <omega <0.end{matrix}}right.;;;;(16g)}{displaystyle H(iomega );=;left{{begin{matrix}i&:&0<omega <pi \-i&:&-pi <omega <0.end{matrix}}right.;;;;(16g)}




e as técnicas usuais são empregadas de forma a obter um filtro com uma resposta o mais próxima possível à ideal. Por meio desta abordagem, obtém-se uma aproximação para û(t) que apresenta ondulações moderadas em torno da descontinuidade. Tais dispositivos são conhecidos, conforme já mencionado acima, como filtros ou transformadores de Hilbert.[4][nota 10]




Resposta de um filtro de Hilbert passa-alta. Comparar a resposta de um filtro real com a reposta ideal mostrada mais acima.




Resposta de um filtro de Hilbert passa-faixa, mostrando que são possíveis abordagens diferentes na implementação de um transformador de Hilbert.





Propriedades |


A DHT possui algumas propriedades idênticas às da Transformada de Hilbert contínua, em particular as seguintes:



  • Relação com a transformada inversa

  • Linearidade

  • Convolução

  • Comutatividade com relação à diferenciação

  • Invariância


Em outros casos, o comportamento das duas versões da transformada é sensivelmente diferente. A DHT, como se pode perceber a partir da equação (16c), tem sempre o valor 0 para ψ = 0 (k = 0), que corresponde à componente de frequência zero de f(t)/f(k). Além disso, para n par, a componente ψ = π, que corresponde à frequência mais alta presente no espectro, também se anula. Por isso, as densidades espectrais de f(k) e de G(k), obtidas através do teorema de Parseval, não são idênticas no caso geral.[9]





Extensões para outros espaços |



Extensão para espaços multidimensionais |


A transformada de Hilbert, definida no espaço L2 por meio da equação (1a), pode ser expandida para espaços multidimensionais Ln, com n > 2, da mesma forma que se faz com a transformada de Fourier. Num tal espaço, o domínio deixa de ser um espaço unidimensional e passa a ser um espaço Ln-1. A variável independente x passa a ser uma matriz de n-1 dimensões, que denotaremos por x; as "colunas" de x são os vetores xi, com 1 ≤ i ≤ n-1.


A transformada de Hilbert de dimensão n é dada pela expressão:



Hn{f(x)}=u^(x)=1πn∫−∞∞∫−∞∞…∫−∞∞f(u)∏k=1n(uk−xk)∏k=1nduk(19a){displaystyle {mathcal {H}}_{n}{f(mathbf {x} )};=;{hat {u}}(mathbf {x} );=;{frac {1}{pi ^{n}}}int _{-infty }^{infty }int _{-infty }^{infty }dots int _{-infty }^{infty }{frac {f(mathbf {u} )}{prod _{k;=;1}^{n}(u_{k};-;x_{k})}};prod _{k;=;1}^{n}du_{k};;;;;(19a)}{displaystyle {mathcal {H}}_{n}{f(mathbf {x} )};=;{hat {u}}(mathbf {x} );=;{frac {1}{pi ^{n}}}int _{-infty }^{infty }int _{-infty }^{infty }dots int _{-infty }^{infty }{frac {f(mathbf {u} )}{prod _{k;=;1}^{n}(u_{k};-;x_{k})}};prod _{k;=;1}^{n}du_{k};;;;;(19a)}




onde os símbolos de integrais indicam o valor principal de Cauchy de cada integração. A transformada inversa será dada por



Hn−1{u^(x)}=f(x)=(−1)nπn∫−∞∞∫−∞∞…∫−∞∞u^(u)∏k=1n(uk−xk)∏k=1nduk(20a){displaystyle {mathcal {H}}_{n}^{-1}{{hat {u}}(mathbf {x} )};=;f(mathbf {x} );=;{frac {(-1)^{n}}{pi ^{n}}}int _{-infty }^{infty }int _{-infty }^{infty }dots int _{-infty }^{infty }{frac {{hat {u}}(mathbf {u} )}{prod _{k;=;1}^{n}(u_{k};-;x_{k})}};prod _{k;=;1}^{n}du_{k};;;;;(20a)}{displaystyle {mathcal {H}}_{n}^{-1}{{hat {u}}(mathbf {x} )};=;f(mathbf {x} );=;{frac {(-1)^{n}}{pi ^{n}}}int _{-infty }^{infty }int _{-infty }^{infty }dots int _{-infty }^{infty }{frac {{hat {u}}(mathbf {u} )}{prod _{k;=;1}^{n}(u_{k};-;x_{k})}};prod _{k;=;1}^{n}du_{k};;;;;(20a)}




Vemos que a transformação será anti-simétrica para n ímpar e simétrica para n par; a transformada de Hilbert definida pela equação (1a) pode ser considerada um caso especial (n=1) da transformação n-dimensional.


Também é possível definir a transformação através da convolução (multidimensional) com o núcleo de Hilbert de dimensão n; por exemplo, para n = 3



Hn{f(x)}=u^(x)=f(x)∗∗∗h3(x)(19b){displaystyle {mathcal {H}}_{n}{f(mathbf {x} )};=;{hat {u}}(mathbf {x} );=;f(mathbf {x} );***;h_{3}(mathbf {x} );;;;;(19b)}{displaystyle {mathcal {H}}_{n}{f(mathbf {x} )};=;{hat {u}}(mathbf {x} );=;f(mathbf {x} );***;h_{3}(mathbf {x} );;;;;(19b)}




com h3(x) sendo o núcleo de Hilbert de dimensão 3:



h3(x)=−1π3x1x2x3{displaystyle h_{3}(mathbf {x} );=;-{frac {1}{pi ^{3}x_{1}x_{2}x_{3}}}}{displaystyle h_{3}(mathbf {x} );=;-{frac {1}{pi ^{3}x_{1}x_{2}x_{3}}}}



Paridade do sinal de entrada |


Uma função f(x), com x tendo n dimensões, pode ser decomposta em uma soma de 2n componentes, cada uma sendo uma função par ou uma função ímpar de uma das variáveis de entrada xi, 1 ≤ i ≤ n. Por exemplo, para n = 3



f(x)=f(x1,x2,x3)=fppp(x1,x2,x3)+fppi(x1,x2,x3)+fpip(x1,x2,x3)+{displaystyle f(mathbf {x} );=;f(x_{1},x_{2},x_{3});=;f_{ppp}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{ppi}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{pip}(x_{1},x_{2},x_{3});+;}{displaystyle f(mathbf {x} );=;f(x_{1},x_{2},x_{3});=;f_{ppp}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{ppi}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{pip}(x_{1},x_{2},x_{3});+;}


+fpii(x1,x2,x3)+fipp(x1,x2,x3)+fipi(x1,x2,x3)+fiip(x1,x2,x3)+fiii(x1,x2,x3){displaystyle ;+;f_{pii}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{ipp}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{ipi}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{iip}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{iii}(x_{1},x_{2},x_{3})}{displaystyle ;+;f_{pii}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{ipp}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{ipi}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{iip}(x_{1},x_{2},x_{3});+;f_{iii}(x_{1},x_{2},x_{3})}



onde fppp é uma função par para as 3 variáveis, fppi é uma função par para as variáveis x1 e x2 e ímpar para a variável x3, e assim por diante. Define-se ainda a distância D(f1,f2) entre duas componentes f1 e f2 como o número de subscritos diferentes na identificação de ambas; por exemplo, D(fppp,fppi) = 1, D(fppp,fipi) = 2, D(fpip,fipi) = 3, D(fiii,fiii) = 0.



Relação com a transformada de Fourier multidimensional |


Se denotarmos a transformada de Fourier de dimensão n de uma função f(x) por G(ω), sendo ω uma matriz de n dimensões, vale a seguinte relação



Fn{Hn{f(x)}}=Fn{u^(x)}=(−i)n+1(∏k=1nsgn⁡(ωk))G(ω)(21a){displaystyle {mathcal {F}}_{n}{{mathcal {H}}_{n}{f(mathbf {x} )}};=;{mathcal {F}}_{n}{{hat {u}}(mathbf {x} )};=;(-i)^{n+1}left(prod _{k;=;1}^{n}operatorname {sgn}(omega _{k})right)G(mathbf {omega } );;;;;(21a)}{displaystyle {mathcal {F}}_{n}{{mathcal {H}}_{n}{f(mathbf {x} )}};=;{mathcal {F}}_{n}{{hat {u}}(mathbf {x} )};=;(-i)^{n+1}left(prod _{k;=;1}^{n}operatorname {sgn}(omega _{k})right)G(mathbf {omega } );;;;;(21a)}




que é a extensão da equação (8a) para n dimensões.



Transformada Fracional de Hilbert |


A partir da transformada n-dimensional de Hilbert, pode-se definir uma transformada fracional (também chamada Transformada Parcial de Hilbert), que resulta da aplicação das expressões (19a) ou (19b) a apenas algumas dentre as n variáveis da matriz x. Por exemplo, se n=2, as duas transformadas fracionais bidimensionais de Hilbert possíveis serão dadas por



H1:2{f(x)}=u^(x)=1π∫−∞∞f(u1,x2)u1−x1du1{displaystyle {mathcal {H}}_{1:2}{f(mathbf {x} )};=;{hat {u}}(mathbf {x} );=;{frac {1}{pi }}int _{-infty }^{infty }{frac {f(u_{1},x_{2})}{u_{1};-;x_{1}}};du_{1}}{displaystyle {mathcal {H}}_{1:2}{f(mathbf {x} )};=;{hat {u}}(mathbf {x} );=;{frac {1}{pi }}int _{-infty }^{infty }{frac {f(u_{1},x_{2})}{u_{1};-;x_{1}}};du_{1}}




e



H2:2{f(x)}=u^(x)=1π∫−∞∞f(u2,x1)u2−x2du2{displaystyle {mathcal {H}}_{2:2}{f(mathbf {x} )};=;{hat {u}}(mathbf {x} );=;{frac {1}{pi }}int _{-infty }^{infty }{frac {f(u_{2},x_{1})}{u_{2};-;x_{2}}};du_{2}}{displaystyle {mathcal {H}}_{2:2}{f(mathbf {x} )};=;{hat {u}}(mathbf {x} );=;{frac {1}{pi }}int _{-infty }^{infty }{frac {f(u_{2},x_{1})}{u_{2};-;x_{2}}};du_{2}}




Essas são transformadas fracionais de primeira ordem, porque uma das variáveis foi deixada de fora da transformação. Para n=3, são possíveis 3 transformadas fracionais tridimensionais de Hilbert de primeira ordem e 3 de segunda ordem (em que duas variáveis são deixadas de fora da transformação) e assim por diante.



Funções separáveis |


Uma função f(x), de n variáveis, é dita separável se puder ser escrita como o produto de n funções, cada uma dependendo de apenas uma das variáveis. Ou seja, f(x)=f1(x1)⋅f2(x2)⋅f3(x3)…fn(xn){displaystyle f(mathbf {x} );=;f_{1}(x_{1})cdot f_{2}(x_{2})cdot f_{3}(x_{3})dots f_{n}(x_{n})}{displaystyle f(mathbf {x} );=;f_{1}(x_{1})cdot f_{2}(x_{2})cdot f_{3}(x_{3})dots f_{n}(x_{n})}. Para esse tipo de entrada, a transformada de Hilbert exibe também separabilidade, ou seja, u^(x)=u^1(x1)⋅u^2(x2)⋅u^3(x3)…u^n(xn){displaystyle {hat {u}}(mathbf {x} );=;{hat {u}}_{1}(x_{1})cdot {hat {u}}_{2}(x_{2})cdot {hat {u}}_{3}(x_{3})dots {hat {u}}_{n}(x_{n})}{displaystyle {hat {u}}(mathbf {x} );=;{hat {u}}_{1}(x_{1})cdot {hat {u}}_{2}(x_{2})cdot {hat {u}}_{3}(x_{3})dots {hat {u}}_{n}(x_{n})}. Essa propriedade também é exibida pelas transformadas fracionais de Hilbert de qualquer ordem.



Ortogonalidade |


Em geral, a equação (9b) não pode estender-se para n dimensões, ou seja, no caso geral, f(x) e û(x) não são ortogonais. A ortogonalidade, no entanto, se verifica quando f(x) (e, por conseguinte, também û(x) é separável.



Extensão do teorema de Bedrosian |


A identidade de Bedrosian, expressa pela equação (10a) pode ser estendida para n=2 pelo teorema de Starck. Seja fMfi a máxima frequência presente em f(x) quando apenas a variável xi varia e a outra permanece constante, e seja fmgi a mínima frequência presente em g(x) nas mesmas condições. Chamemos F(ω) e G(ω) as transformadas de Fourier bidimensionais de f(x) e g(x), respectivamente. Se f e g são tais que fMf1, fMf2, fmg1 e fmg2 são finitas, então F será nula para ω1 > 2πfMf1 e ω2 > 2πfMf2, e G será nula para ω1 < 2πfmg1 e ω2 < 2πfmg2. f(x) será, então, uma função que só contém frequências relativamente baixas, e g(x) será uma função que só contém frequências relativamente altas nos respectivos espectros.


Se fMf1 < fmg1 e fMf2 < fmg2, as funções f e g são ditas fortemente separáveis espectralmente. Neste caso, o suporte de F é disjunto do suporte de G, e pode-se escrever



H2{f(x)⋅g(x)}=f(x)⋅H2{g(x)}(21b){displaystyle {mathcal {H}}_{2}{f(mathbf {x} )cdot g(mathbf {x} )};=;f(mathbf {x} )cdot {mathcal {H}}_{2}{g(mathbf {x} )};;;;;(21b)}{displaystyle {mathcal {H}}_{2}{f(mathbf {x} )cdot g(mathbf {x} )};=;f(mathbf {x} )cdot {mathcal {H}}_{2}{g(mathbf {x} )};;;;;(21b)}




A condição de fMf1 < fmg1 e fMf2 < fmg2 não é necessária para validade da equação (21b). Como as frequências fMf1, fmg1, fMf2 e fmg2 encontram-se num espaço bidimensional, os suportes de F e G podem ser disjuntos mesmo quando ela não é atendida; nesse caso, f e g são ditas disjuntas espectralmente, e a equação (21b) ainda vale.[9]



Transformadores de Hilbert multidimensionais |


As equações (8b) e (8c), que definem o transformador de Hilbert, podem ser estendidas para n dimensões por meio das equações


An(f)=∏k=1ni⋅sgn⁡(fk)(21c){displaystyle A_{n}(mathbf {f} );=;prod _{k;=;1}^{n}icdot operatorname {sgn}(f_{k});;;;;(21c)}{displaystyle A_{n}(mathbf {f} );=;prod _{k;=;1}^{n}icdot operatorname {sgn}(f_{k});;;;;(21c)}


ϕn(f)=π2⋅∑k=1nsgn⁡(fk)(21d){displaystyle phi _{n}(mathbf {f} );=;{frac {pi }{2}}cdot sum _{k;=;1}^{n}operatorname {sgn}(f_{k});;;;;(21d)}{displaystyle phi _{n}(mathbf {f} );=;{frac {pi }{2}}cdot sum _{k;=;1}^{n}operatorname {sgn}(f_{k});;;;;(21d)}





História do desenvolvimento da teoria |


Em 1909, Hardy forneceu a definição da transformada e condições de sua validade. Ele acreditava na época que as fórmulas fossem desconhecidas, mas posteriormente descobriu que Hilbert já as usara pelo menos desde 1904, e então batizou a transformação como Transformada de Hilbert quando escreveu novamente sobre o assunto em 1925. O trabalho deste ano continha alguns erros, o que obrigou Hardy a reescrevê-lo em 1932. Outros trabalhos do mesmo autor nos anos entre 1909 e 1932 trouxeram novos aportes à teoria. O último artigo de Hardy sobre a transformação de Hilbert data de 1937.[15]


Assim, Hardy (1932) é o artigo de referência para a definição original da Transformada de Hilbert.


A motivação original de Hardy era o estudo da Transformada de Fourier e sua aplicação à análise do espaço L2. Ele iniciou essas pesquisas em 1904 e as levou até 1947, investigando também as transformações de Mellin e de Laplace, além do recém-descoberto tema dos núcleos (kernels) da Transformada de Fourier.[15]



Notas |




  1. ↑ Em aplicações de física e engenharia, o termo domínio nessa frase refere-se em geral ao domínio do tempo ou ao domínio da frequência. Em aplicações de matemática, o termo refere-se a algum espaço vetorial, como o conjunto dos números reais, por exemplo.


  2. ↑ O mapeamento de um domínio para si mesmo recebe o nome de endomorfismo.


  3. ↑ Diz-se, neste caso, que as funções f(x) e g(x) estão em quadratura.


  4. ↑ Embora neste verbete se use o termo geral função, tenha-se em mente que, em muitos casos, trata-se de distribuições, ou seja, de funções generalizadas. Um exemplo de distribuição é a conhecidíssima δ(x), a "função" impulso unitário ou delta de Dirac.


  5. ↑ Thrane (1984) menciona que essa transformada também é conhecida como Transformada de "Berthil" (ing. "Berthil" Transform), mas isso não é confirmado por nenhuma outra fonte consultada.


  6. ↑ Várias convenções coexistem na literatura para definição da Transformada de Fourier. No entanto, na literatura que trata da Transformada de Hilbert parece existir uma unanimidade em usar a forma conhecida como angular assimétrica, que é a mesma empregada no verbete da Wikipédia em português. Em todo este verbete assume-se que está sendo usada tal forma.


  7. ↑ Essa condição é necessária, mas não suficiente. Um sistema fisicamente realizável precisa ter outras características, além de ser causal; por exemplo, sua banda passante precisa ser finita.


  8. ↑ Essa condição é chamada de teorema de Bedrosian, apesar de dever-se, na sua versão mais avançada, a Xu e Yan (2006).


  9. ↑ Em geral, situações em que a frequência de φ(t) é razoavelmente grande e constante.


  10. ↑ O "alisamento" de um sinal é um resultado característico da aplicação de uma convolução.



Referências




  1. ↑ abcdefghij Bracewell, R. - The Fourier Transform And Its Applications, 3rd. Edition, New York: McGraw-Hill, 2000, pp. 359-367, ISBN 0-07303-938-1 / ISBN 978-0-0730-3938-1 Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "Bracewell" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes


  2. ↑ abcdefg Kschischang, F. R. - The Hilbert Transform, disponível em http://www.comm.utoronto.ca/frank/papers/hilbert.pdf, acessado em 06/09/2012


  3. ↑ abcdef B. Zhechev - Hilbert Transform Relations, disponível em http://www.cit.iit.bas.bg/CIT_05/v5-2/3-13.pdf, acessado em 19/09/2012


  4. ↑ abcde Liu Y. - Hilbert Transform and Applications in Salih S. (ed.) - Fourier Transform Applications, ISBN: 978-953-51-0518-3, disponível em http://www.intechopen.com/books/fourier-transform-applications/hilbert-transform-and-application, acessado em 22/11/2013


  5. ↑ abcdef Johansson, M. - The Hilbert Transform, disponível em http://w3.msi.vxu.se/exarb/mj_ex.pdf, acessado em 12/09/2012


  6. ↑ ab N. Thrane - The Hilbert Transform, Brüel & Kjær Technical Review no° 3, 1984, pp. 3 a 15


  7. ↑ Wolfram MathWorld - Titchmarsh Theorem, http://mathworld.wolfram.com/TitchmarshTheorem.html


  8. ↑ Wolfram MathWorld - Hilbert Transform, http://mathworld.wolfram.com/HilbertTransform.html


  9. ↑ abcdefgh S. Hahn - The Hilbert Transforms in A. Poularikas (org) - The Transforms and Applications Handbook, 2nd. edition, Boca Raton: CRC, 2000, Cap. 7, pp. 563 a 737


  10. ↑ Bracewell, R. - op. cit., cap. 5, pp. 74-104


  11. ↑ Bedrosian, E. - A Product Theorem for Hilbert Transforms, disponível em http://www.rand.org/pubs/research_memoranda/2008/RM3439.pdf, acessado em 09/09/2012


  12. ↑ Venouziou, M. e Zhang H. - Characterizing the Hilbert Transform by the Bedrosian Theorem, disponível em http://home3.sysu.edu.cn/jskx/haizhang/papers/Characterization.pdf, acessado em 08/09/2012


  13. ↑ Xu Y., Yan D. - The Bedrosian Identity for the Hilbert Transform of Product Functions, disponível em http://www.ams.org/proc/2006-134-09/S0002-9939-06-08315-8/S0002-9939-06-08315-8.pdf, acessado em 08/09/2012


  14. ↑ Thrane e outros - Brüel & Kjær Application Note: Practical use of the "Hilbert Transform", disponível em http://www.bksv.com/doc/bo0437.pdf, acessado em 06/09/2012


  15. ↑ ab London Mathematical Society - Collected Papers of G. H. Hardy, volume 7, disponível em https://archive.org/download/CollectedPapersOfG.H.Hardy-Volume7/Lms-CollectedPapersOfGHHardyVolume7.pdf, acessado em 22/11/2013



Ver também |


  • Relações de Kramers–Kronig


Ligações externas |


  • Artigo original de G. H. Hardy: Oxford Quarterly Journal of Mathematics, Volume os-3, Issue 1, Pp. 102-112



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