Torquato Neto




































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































Torquato Neto


Torquato Neto em cena do filme "Nosferatu no Brasil".
Informação geral
Nome completo
Torquato Pereira de Araújo Neto
Nascimento

9 de novembro de 1944
Teresina,  Piauí
Morte

10 de novembro de 1972 (28 anos)
Rio de Janeiro, Guanabara Guanabara
Nacionalidade

brasileiro

Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina, 9 de novembro de 1944 — Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1972) foi um poeta brasileiro, jornalista, letrista de música popular, experimentador ligado à contracultura.




Índice






  • 1 Vida e obra


  • 2 Composições


  • 3 Discografia


  • 4 Filmografia


  • 5 Bibliografia


  • 6 Referências


  • 7 Ligações externas





Vida e obra |




Em 1972.


Torquato Neto era o único filho do defensor público Heli da Rocha Nunes (1918 - 2010) e da professora primária Maria Salomé da Cunha Araújo (1918 - 1993).[1] De Teresina, mudou-se para Salvador aos 16 anos para os estudos secundários, onde foi contemporâneo de Gilberto Gil no Colégio Nossa Senhora da Vitória (Marista) e trabalhou como assistente no filme Barravento, de Glauber Rocha.[2]


Torquato envolveu-se ativamente na cena soteropolitana, onde conheceu, além de Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia. Em 1962, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar jornalismo na universidade, mas nunca chegou a se formar. Trabalhou para diversos veículos da imprensa carioca, com colunas sobre cultura no Correio da Manhã, Jornal dos Sports e Última Hora.


Torquato atuava como um agente cultural e polemista defensor das manifestações artísticas de vanguarda, como a Tropicália, o cinema marginal e a poesia concreta, circulando no meio cultural efervescente da época, ao lado de amigos como os poetas Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos, o cineasta Ivan Cardoso e o artista plástico Hélio Oiticica.


"Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela (…). Quem não se arrisca não pode berrar."[3]


Nesta época, Torquato passou a ser visto como um dos participantes do Tropicalismo, tendo escrito o breviário Tropicalismo para principiantes, no qual defendeu a necessidade de criar um "pop" genuinamente brasileiro:


"Assumir completamente tudo o que a vida dos trópicos pode dar, sem preconceitos de ordem estética, sem cogitar de cafonice ou mau gosto, apenas vivendo a tropicalidade e o novo universo que ela encerra, ainda desconhecido".[3]


Torquato também foi um importante letrista de canções icônicas do movimento tropicalista.


No final da década de 1960, com o AI-5 e o exílio dos amigos e parceiros Gil e Caetano, viajou pela Europa e Estados Unidos com a mulher, Ana Maria Silva de Araújo Duarte, e morou em Londres por um breve período. De volta ao Brasil, no início dos anos 1970, Torquato começou a se isolar, sentindo-se alienado pelo Regime militar. Passou por uma série de internações para tratar do alcoolismo e rompeu diversas amizades. Em julho de 1971, escreveu a Hélio Oiticica:


"O chato, Hélio, aqui, é que ninguém mais tem opinião sobre coisa alguma. Todo o mundo virou uma espécie de Capinam (esse é o único de quem eu não gosto mesmo: é muito burro e mesquinho), e o que eu chamo de conformismo geral é isso mesmo, a burrice, a queimação de fumo o dia inteiro, como se isso fosse curtição, aqui é escapismo, vanguardismo de Capinam que é o geral, enfim, poesia sem poesia, papo furado, ninguém está em jogo, uma droga. Tudo parado, odeio."[3]


Torquato se matou um dia depois de seu 28º aniversário, em 1972. Depois de voltar de uma festa, trancou-se no banheiro e abriu o gás e isso levou muita gente a pensar que Torquato foi morto pelo regime militar. Sua mulher dormia em outro aposento da casa. O escritor foi encontrado na manhã seguinte pela empregada da família (Maria das Graças, que mais tarde adotou o nome de Gal, sugerido pela própria Gal Costa, sua homônima [frequentadora assídua da casa de Torquato]).


A nota de suicídio de Torquato dizia:


"FICO. Não consigo acompanhar a marcha do progresso de minha mulher ou sou uma grande múmia que só pensa em múmias mesmo vivas e lindas feito a minha mulher na sua louca disparada para o progresso. Tenho saudades como os cariocas do tempo em que eu me sentia e achava que era um guia de cegos. Depois começaram a ver, e, enquanto me contorcia de dores, o cacho de banana caía. De modo Q FICO sossegado por aqui mesmo enquanto dure. Ana é uma SANTA de véu e grinalda com um palhaço empacotado ao lado. Não acredito em amor de múmias, e é por isso que eu FICO e vou ficando por causa deste amor. Pra mim chega! Vocês aí, peço o favor de não sacudirem demais o Thiago. Ele pode acordar".[4]


Thiago era o filho de dois anos de idade.


Foi pensando na morte do amigo que Caetano Veloso escreveu a canção "Cajuína", incluída no disco Cinema Transcendental. Os versos da canção relatam o encontro de Caetano com o pai de Torquato, em Teresina, algum tempo depois da morte do poeta.[5]


Na década de 1980, a partir de 1984, as gerações mais recentes puderam apreciar o talento poético de Torquato através do seu poema, "Go Back" (1971), que, naquele ano, recebeu a primeira gravação musical do grupo Titãs, com música feita pelo tecladista e um dos cantores do grupo, Sérgio Britto. A popularidade da canção seria consagrada em 1988, quando os Titãs deram um arranjo ainda mais vigoroso à música. "Go back" é a faixa-título de um disco gravado em Montreux, na Suíça.


Na madrugada do dia 27 de setembro de 2010, seu pai, o defensor público Dr. Heli Rocha Nunes, morreu aos 92 anos de idade, em Teresina, após uma parada cardíaca. A família aguardou a chegada do único filho do poeta piauiense, Thiago de Araújo Nunes (piloto de aeronave em uma companhia aérea brasileira), para realizar o sepultamento do avô.



Composições |




Torquato Neto e Scarlet Moon de Chevalier.



  • A coisa mais linda que existe (com Gilberto Gil)

  • A rua (com Gilberto Gil)

  • Ai de mim, Copacabana (com Caetano Veloso)

  • Andarandei (com Renato Piau)

  • Cantiga (com Gilberto Gil)

  • Capitão Lampião (com Caetano Veloso)

  • Começar pelo recomeço (com Luiz Melodia)

  • Daqui pra lá, de lá pra cá

  • Dente por dente (com Jards Macalé)

  • Destino (com Jards Macalé)

  • Deus vos salve a casa santa (com Caetano Veloso)

  • Domingou (com Gilberto Gil)

  • Fique sabendo (com João Bosco e Chico Enói)

  • Geleia geral (com Gilberto Gil)

  • Go back (com Sérgio Britto)

  • Juliana (com Caetano Veloso)

  • Let's play that (com Jards Macalé)

  • Lost in the paradise (com Caetano Veloso)

  • Louvação (com Gilberto Gil)

  • Lua nova (com Edu Lobo)

  • Mamãe coragem (com Caetano Veloso)

  • Marginália II (com Gilberto Gil)

  • Meu choro pra você (com Gilberto Gil)

  • Minha Senhora (com Gilberto Gil)

  • Nenhuma dor (com Caetano Veloso)

  • O bem, o mal (com Sérgio Britto)

  • O homem que deve morrer (com Nonato Buzar)

  • O nome do mistério (com Geraldo Azevedo)

  • Pra dizer adeus (com Edu Lobo)

  • Quase adeus (com Nonato Buzar e Carlos Monteiro de Sousa)

  • Que película (com Nonato Buzar)

  • Que tal (com Luiz Melodia)

  • Rancho da boa-vinda (com Gilberto Gil)

  • Rancho da rosa encarnada (com Gilberto Gil e Geraldo Vandré)

  • Todo dia é dia D (com Carlos Pinto)

  • Três da madrugada (com Carlos Pinto)

  • Tudo muito azul (com Roberto Menescal)

  • Um dia desses eu me caso com você (com Paulo Diniz)

  • Veleiro (com Edu Lobo)

  • Vem menina (com Gilberto Gil)

  • Venho de longe (com Gilberto Gil)

  • Vento de maio (com Gilberto Gil)

  • Zabelê (com Gilberto Gil)



Discografia |




  • Tropicalia ou Panis et Circencis (1968) - Philips LP


  • Os últimos dias de Paupéria (1973) - Eldorado Editora Compacto simples


  • Torquato Neto - Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia (1985) - RioArte/Prefeitura do Rio de Janeiro e Governo do Estado do Piauí LP


  • Todo dia é dia D (2002) - Dubas Música CD



Filmografia |


Como ator



  • Nosferatu, de Ivan Cardoso. Como protagonista, "Vampiro" (1970).


  • Terror da Vermelha, de Torquato Neto (1971/1972).


  • Adão e Eva do Paraíso ao Consumo (super 8, Teresina, 1972), de Edmar Oliveira e Carlos Galvão.[6]


Como diretor


  • Terror da Vermelha, (1972).

Sobre Torquato Neto

  • Documentário: Torquato Neto - Todas as horas do fim (Eduardo Ades e Marcus Fernando, 2017)

  • Documento Especial. Torquato Neto, O Anjo Torto da Tropicália (Ivan Cardoso, 1992)


Bibliografia |




  • Toninho Vaz. Pra mim chega - A biografia de Torquato Neto. São Paulo: Casa Amarela, 2003

  • Kenard Kruel. Torquato Neto ou a Carne Seca é servida. Teresina: Editora Zodíaco, 2a. edição, 2008 [7]

  • Paulo Henriques Brito. Torquato Neto. Centro de Cultura Alternativa/ Rio Arte / Projeto Torquato Neto/ Secretaria de Cultura, Desportos e Turismo do Piauí, 1985.

  • Torquato Neto. Os Últimos Dias de Paupéria (org.: Ana Maria Silva Duarte e Waly Salomão). Rio de Janeiro: Max Limonad, 1984.

  • Torquato Neto. Torquatália - do Lado de Dentro: Obra Reunida de Torquato Neto (vol. 1) (org. : Paulo Roberto Pires). Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2005.


Torquato Neto. Torquatália - Geléia Geral: Obra Reunida de Torquato Neto (vol. 2) (org. : Paulo Roberto Pires). Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2005.


Referências




  1. ↑ Torquato Pereira de Araújo Neto


  2. ↑ Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. "Torquato Neto."


  3. ↑ abc Talismã do tropicalismo. Um dos idealizadores do movimento, o poeta, letrista e crítico Torquato Neto tem sua obra completa editada nos dois volumes de Torquatália. Por João Marcos Coelho. Época, 20 de fevereiro de 2009.


  4. ↑ Paulo Andrade. Torquato Neto: uma poética de estilhaços. São Paulo: Annablume/ Fapesp, 2002 , p. 189.


  5. ↑ Vídeo. Caetano Veloso conta a história da música ‘Cajuína’


  6. ↑ Casa da Cultura recebe exposição sobre Torquato Neto. Fotografias mostram a história do filme Adão e Eva do Paraíso ao Consumo. 4 de setembro de 2014.


  7. ↑ Há exatas quatro décadas, morria poeta Torquato Neto. Artífice da tropicália se suicidou inalando gás em seu apartamento, no Rio. Pesquisador piauiense Kenard Kruel lança edição ampliada e revisada de sua obra sobre escritor e agitador. Por Cláudio Portella. Folha de S. Paulo , 10 de novembro de 2012.



Ligações externas |



  • Poema Cogito


  • Torquato Neto no Jornal de Poesia

  • Vídeo. Torquato Neto – O anjo torto. Série de reportangens especiais sobre os 70 anos de nascimento do poeta.





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